Compromissos do G8 sobre o clima são necessários, mas insuficientes

As metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa anunciadas nesta terça-feira pelo G-8, no Japão, são necessárias, mas insuficientes, avaliam os cientistas, alegando que são muito vagas e distantes, frente à urgência climática.

AFP |

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Líderes do G8 plantam mudas antes de começar a reunião do dia

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), esse quadro é "inequívoco": a temperatura média mundial já aumentou 0,74°C em 100 anos e pode subir entre 1,8% e 4% até 2100, em relação ao final do século 20. Para conter essa alta, é preciso agir muito, muito rápido, alertam especialistas, com o objetivo de estabilizar e, então, reduzir as emissões desses gases.

De acordo com o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, a comunidade internacional tem uma "janela de lançamento" de apenas sete anos, porque as emissões devem começar a cair a partir de 2015, impreterivelmente.

"Quanto mais rápido começarmos a reduzir nossas emissões, mais chances teremos de evitar algumas conseqüências mais graves", disse à AFP esse especialista em questões de energia e que se dedica há décadas à preservação ambiental, referindo-se ao aquecimento climático.

Isso explica a necessidade imperiosa, para vários cientistas, de fixar metas numéricas em médio prazo.

Acordo do G8

Em seu comunicado, divulgado em Toyako, norte do Japão, os líderes dos oitos países mais industrializados do mundo se comprometem a fazer com que as emissões mundiais sejam divididas pelo menos por dois até 2050 . Para Pachauri, a ausência, no texto de referência, do ano de 2020 como um marco é lamentável.

"Se os dirigentes do G8 tivessem dito qualquer coisa sobre o tema, isso teria passado a idéia de algum grau de urgência e mostrado um compromisso claro de sua parte", comentou.

Planos urgentes

Na verdade, ressaltam os especialistas em clima, a urgência é tão forte que os "benefícios" da luta contra a mudança climática só podem ser vistos tardiamente.

"Os esforços que fazemos agora vão criar uma diferença nas concentrações (de gases causadores do efeito estufa) e, então, na mudança climática, após 20 anos de efeitos acumulados", resumiu Cédric Philibert, expert em Clima da Agência Internacional de Energia (AIE).

Muitos avaliam que a comunidade internacional não pode mais, a partir de agora, ignorar que a urgência climática precisa de mudanças imediatas e radicais.

Em e-mail à AFP, James Hansen, principal especialista em Clima da Nasa, classificou os compromissos do G8 sobre um percentual para 2050 de "inúteis".

Segundo o pesquisador americano, a única medida eficaz seria pôr fim às emissões ligadas à exploração de carvão, energia fóssil fortemente emissora de CO2.

Nesse sentido, ele sugere suspender a construção de novas centrais a carvão e, progressivamente, deixar fora de serviço todas aquelas que não tiverem um sistema de captação e estocagem de CO2.

Se essas medidas forem aplicadas nos países desenvolvidos até 2020 e nos países em desenvolvimento até 2030, será possível salvar o planeta.

Caso contrário, alerta, "veremos uma condenação à morte de um número incalculável de espécies e deixaremos para nossos filhos uma situação de desordem, sobre a qual eles não terão mais controle".


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