(Embargada até as 18h00 de Brasília) Washington, 19 mai (EFE).- Um composto presente em grande quantidade no aipo, na camomila e nos pimentões reduz a inflamação cerebral e poderia ajudar as pessoas afetadas pelo mal de Alzheimer, de acordo com um artigo publicado hoje pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Uma equipe liderada por Saebyeol Jang, da Universidade de Illinois, acrescentou o composto conhecido como luteolina na água que durante 21 dias foi administrado aos ratos de laboratório e comprovou uma suavização das inflamações cerebrais induzidas.

Luteolina é um composto do grupo denominado flavonóides e que inclui uma série de estruturas químicas responsáveis pela cor e cheiro das plantas e que, durante anos, era conhecida por suas propriedades antioxidantes, anticancerígenas e antiinflamatórias.

Os pesquisadores estudaram a forma como a luteolina atua sobre as microgliais, células pequenas com núcleo alongado e prolongamentos curtos e irregulares, originários da medula óssea e que chegam ao sistema nervoso pelo sangue.

As microgliais são fagócitos, os soldados mononucleares que defendem o sistema nervoso central e devoram os corpos que o atacam.

Outros estudos anteriores demonstraram que os flavonóides ajudam a resistir à demência causada pela inflamação no cérebro em doenças como Alzheimer ou Creutzfeldt-Jakob, conhecida popularmente como a doença da vaca louca.

Para seu experimento, Saebyeol Jang e seus colaboradores no Programa de Imunologia Integrativa e Conduta usaram duas partes das células microgliais cultivadas, e descobriram que a luteolina reduz a inflamação causada por uma molécula de bactéria.

Durante 21 dias os pesquisadores administraram aos ratos água com luteolina e depois lhes injetaram um lipossacarídeo, um componente da membrana exterior de uma bactéria que o sistema de imunidade reconhece como patogênico, e, portanto, inicia o mecanismo defensivo da inflamação.

"O consumo de luteolina reduziu a inflamação induzida pelo lipossacarídeo dentro das quatro horas após a injeção", afirmou o artigo.

"Além disso, a luteolina diminuiu a indução da inflamação por lipossacarídeo no hipocampo, mas não no córtex ou no cerebelo".

Os autores concluíram que "a luteolina pode ser útil para aplacar a inflamação" do cérebro, e apontaram seu uso potencial no tratamento de tal condição em pacientes humanos. EFE jab/bm/fb

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