Componentes étnicos e religiosos perdem força eleitoral no Iraque

BAGDÁ - As eleições provinciais deste sábado no Iraque podem dividir a frágil coalizão de governo liderada pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki, além de reduzir os componentes étnicos e religiosos que marcaram a política até agora no país e envolveram os iraquianos em um clima constante de violência.

EFE |

Os mais de 15 milhões de iraquianos com direito a voto em 14 províncias começarão a traçar um futuro multiétnico e multirreligioso para o país, que deverá reforçar suas novas condições sociais nas eleições gerais previstas para o fim do ano.

"Não há dúvida de que as eleições influenciarão o futuro do país em geral e o do atual governo em particular", assegurou Sawsan al-Mawla, uma entre os mais de 14 mil candidatos que pretendem conquistar uma das 440 cadeiras em disputa nas assembleias provinciais - não participam do pleito as três do Curdistão iraquiano e a da região petrolífera de Kirkuk.

O impasse em Erbil, Suleimaniya e Dohuk, no Curdistão iraquiano - e em Kirkuk, disputada por árabes, curdos e turcomanos, se deve ao fato de que ainda não foi resolvida a polêmica envolvendo o futuro desta última província, que espera há meses a realização de um plebiscito.

Mawla, integrante da coalizão sunita Frente Iraquiana para o Diálogo Nacional (FIDN), declarou que inúmeros iraquianos consideram que amanhã o fator religioso e étnico vai perder a importância que mostrou nas últimas eleições gerais, realizadas em 2005.

A candidata acredita ainda que as eleições "criarão novas forças políticas que poderão contribuir para acabar com a origem predominantemente xiita do atual Executivo".

"Amanhã votarei em um candidato laico, independentemente de sua característica étnica ou religiosa", assegurou Mahmoud al-Tikriti, que se identificou como um universitário formado e atualmente desempregado.

Divisão étnica e religiosa

A divisão étnica e religiosa entre curdos e árabes, e sunitas e xiitas se intensificou após a queda do regime de Saddam Hussein em abril de 2003 e ganhou força em fevereiro de 2006 após um atentado contra um templo xiita em Samarra.

Na ocasião, teve início uma onda de violência que deixou milhares de mortos e que começou a perder força apenas em meados do ano passado.

A violência poderia passar fatura aos partidos religiosos no pleito de amanhã, já que grande parte da população os responsabilizou pelo ódio sectário que se estendeu por todo o país.

Vários acadêmicos consideram agora que as eleições provinciais servirão para corrigir essa situação.

"O pleito provincial será mais equilibrado e haverá mais representantes de todas as facções do povo iraquiano, ao contrário do que ocorre nas atuais assembleias provinciais, onde a maioria pertence aos partidos governamentais", assegura o professor universitário Amre Ayash.

A Aliança Unida Iraquiana (AUI), xiita e que lidera o governo, também tem muito interesse nas eleições deste sábado, com seus candidatos disputando votos nas províncias do sul do país.

Os principais partidos dessa coalizão xiita, a Assembleia Suprema da Revolução Islâmica (ASRI), do clérigo xiita Abdel Aziz al-Hakim, e o partido do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, Dawa, chegam ao pleito com dois projetos diferentes.

Enquanto Maliki defende uma centralização do Estado cada vez mais forte, em detrimento de autonomias regionais, o partido de Hakim, o mais forte dentro da AUI, defende um Iraque federal, onde os xiitas controlariam as províncias do sul.

Os partidos sunitas advertiram que isso poderia levar a uma ruptura da unidade do Iraque, onde os curdos são maioria nas províncias do norte, os árabes sunitas na região central e os árabes xiitas no sul.

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