Shilpi Singh Nova Délhi, 16 jul (EFE).- Desafiando suas limitações físicas, o grupo Ability Unlimited (capacidade ilimitada) de dançarinos em cadeiras de rodas, tão otimistas quanto o nome, apresentaram um espetáculo de bharatnatyam, a clássica dança indiana que possui os passos, movimentos e posturas mais detalhados.

O grupo de 12 cadeirantes dirigidos pelo coreógrafo Guru Syed Sallauddin Pasha assombrou este fim de semana os espectadores de Nova Délhi com a apresentação de "Bharatnatyam on Wheels" (bharatanatyam sobre rodas), a dança típica indiana em cadeira de rodas.

"É o primeiro na história da dança (clássica indiana) e é o primeiro na história da paraplegia", afirmou orgulhoso um de seus estudantes, Pasha, o coreógrafo e diretor da produção, em declarações à Agência Efe.

"É um esforço de cinco longos anos. Era muito difícil sim, mas nada se consegue facilmente", disse Pasha, que desenvolveu a técnica que ensina aos alunos praticando ele mesmo "horas e horas amarrado a uma cadeira de rodas".

O diretor disse que a dança "não teve a qualidade e o estilo original da dança clássica" comprometidos pela incapacidade de seus alunos.

As danças clássicas indianas se dividem em "nritta" ou dança pura, que destaca combinações de passos rítmicos sem transmitir nenhum significado, e "nritya" ou baile que conta algo com menos movimento do corpo e maior uso de expressões mímicas ou "mudras".

Embora os espectadores esperassem uma dança "nritya", os dançarinos com paraplegia os surpreenderam com suas variações rápidas de "adavu" (passos), "jathi" (combinações de passos rítmicos) e "thiramanams" (seqüências rítmicas compostas de adavu e jathis).

Com a técnica desenvolvida por Pasha, as rodas das cadeiras, desenhadas especialmente para o que a dança requer, são usadas para girar, movimentar-se e inclusive são tombadas para representar o movimento de uma perna.

"A cadeira de rodas tem várias vantagens em muitos passos, por exemplo, pode fazer 'rangakramana' (cobrir a plataforma), 'brahmari' (giros circulares) e 'jaru adavu' (deslizamentos) com rapidez e perfeição", explica em uma nota para a imprensa, em que promove o lema "ver é crer".

"É uma inovação e uma revolução na dança", disse Pasha, para quem sua técnica "desafia o discriminatório Natyashastra", o livro védico hindu em que se baseiam todas as danças clássicas indianas.

"O livro diz que as pessoas com invalidez ou corcundas não podem dançar", protestou Pasha.

Mas a atitude de seus estudantes, devotados à dança, contradizem o que afirmam os criadores de "bharatnatyam".

"Se é feito um esforço, não se pode conseguir?", perguntou a única menina do grupo, Hemlata Meena.

"Antes, quando via as crianças na escola se preparando para apresentações, me dava muita vontade de participar. Mas os professores me davam papéis muito pequenos nos quais não tinha que fazer nada", recordou em declaração à Efe Manoj Barayk, triste pela discriminação que sofria.

Agora, "fazer apresentações profissionais me dá muito prazer, me dá muita confiança", acrescentou o aluno, que por sua dedicação de dez anos à dança chegou ao posto de subdiretor do grupo.

Rani Khanan, esposa de Pasha e dançarina profissional, que também ensina na companhia, revelou à Efe que a escola não só ensina a dançar, mas também iluminação, vestuário, maquiagem, edição de música e outras tarefas da administração da arte de forma profissional.

"Nossa meta é que eles sejam totalmente independentes", afirmou.

O mestre Pasha apoiou a idéia e ponderou: "Eles não precisam de compaixão. O que precisam é de uma oportunidade". EFE ss/bm/db

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