Companheiro de chapa de Obama tem cabelos brancos e experiência internacional

Teresa Bouza Washington, 23 ago (EFE).- O candidato presidencial democrata Barack Obama anunciou esta madrugada quem é seu companheiro de chapa, o senador Joseph Biden, um veterano da política americana que tem cabelos brancos e a experiência internacional que Obama não tem.

EFE |

O homem que vai concorrer junto com Obama à vice-presidência dos Estados Unidos preside o Comitê de Relações Exteriores do Senado, um posto que já o levou a diferentes regiões em conflito como o Iraque, Sudão e, mais recentemente, Geórgia.

A reduzida trajetória internacional de Obama, que possui apenas três anos como senador e desenvolveu a maior parte de sua carreira política em Chicago, é seu principal calcanhar de Aquiles nestas eleições, nas quais a política externa centra, junto com a economia, as preocupações dos eleitores.

À força em política externa, Biden soma seu domínio do ataque político, o que poderia ajudar Obama a resistir aos embates da maquinaria política republicana.

"É bom na hora de identificar as fraquezas de seus rivais", disse à Agência Efe Joel Goldstein, professor da Universidade de Saint Louis (Missouri) e autor de "A vice-presidência moderna: a transformação de uma instituição política".

Goldstein deu como exemplo um dos comentários feitos por Biden sobre o republicano Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, durante as últimas primárias nas quais Biden competiu sem sucesso.

"Há três coisas que (ele) menciona em uma frase: um nome, um verbo e 11 de setembro", disse o senador democrata de 65 anos sobre Giuliani, se referindo à rapidez com a que exibe, à primeira vista, sua reconhecida liderança durante os atentados terroristas do dia 11 de setembro de 2001, quando ele era prefeito de Nova York.

"Acho que Biden desempenhará bem o papel que tradicionalmente corresponde ao vice-presidente de atacar o oponente", disse Goldstein, indicando que Obama poderia ser o "policial bom" da dupla, um papel no qual parece sentir-se cômodo.

Na opinião do professor do Missouri, Biden ataca mas de forma elegante: "Seus comentários são inteligentes e raramente resultam ofensivos, mas sabe dar justo onde dói", afirmou.

Entre as virtudes que são reconhecidas nele está também sua personalidade franca e sua capacidade para arrebatar a simpatia de seus companheiros do Senado, onde é um político respeitado e querido, onde soube trabalhar m iniciativas bipartidárias.

"Ele tem uma espécie de aura de defensor do cidadão que ajudaria Obama", insistiu Goldstein, lembrando que apesar de seus ares aristocráticos Biden nasceu no seio de uma família de classe média católica da Pensilvânia.

Essa capacidade para se conectar com o homem comum poderia também servir bem a Obama, que freqüentemente é retratado como um político sofisticado e distante.

Jack Pitney, professor da Universidade Claremont McKenna, na Califórnia, advertiu, que Biden também tem seus pontos fracos.

"Ele gosta muito de falar", disse o especialista em referência à tendência de Biden em prolongar seus discursos e respostas, uma coisa que desespera seus críticos, e que "poderia aborrecer os eleitores".

Entre seus deslizes mais famosos está o plágio de um discurso durante a corrida pela candidatura presidencial democrata em 1988, que o obrigou a se retirar da competição.

A isso se somam comentários polêmicos sobre Obama no começo de 2007, a quem definiu como "o primeiro" afro-americano na política americana que é "expressivo, brilhante, ético e bem semelhante".

"Ele precisa ter cuidado com a língua a partir de agora", disse Pitney.

Os analistas destacam, além disso, que sua escolha é incomum ao ser a primeira vez que alguém que concorreu pela candidatura presidencial - Biden tentou em 1988 e este ano - e não acabou no primeiro ou segundo lugar é selecionado para ser o "número dois".

Também é a primeira vez que um senador por Delaware - um dos menores estados do país - é escolhido para ser o candidato a segundo homem forte da Casa Branca. EFE tb/ma

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