Como os EUA identificaram Bin Laden pelo DNA

Teste compara 20 pontos do genoma de uma pessoa com o de familiares. FBI dispunha de amostras de parentes do líder da Al-Qaeda

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

De acordo com informações do governo americano, testes de DNA afirmam 99,9% de chance que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, de fato morreu em operação militar dos Estados Unidos no Paquistão. Fontes americanas afirmaram ainda que uma mulher, que seria uma das esposas de Bin Laden, teria identificado o corpo.

Segundo o médico Antônio Batista de Queiroz, presidente da Associação Brasileira de Medicina Legal, os procedimentos para a identificação de um morto dependem das condições do óbito. “É preciso vários elementos para comprovar. Fotos podem complementar a análise, mas não servem como provas”, disse ao iG . No entanto o médico alerta que exames de DNA a partir de amostras de dente ou de ossos são muito mais demorados. Exames a partir de sangue podem ficar prontos em até 4 horas. “A partir das amostras gera-se o perfil genético e 20 pontos do genoma da pessoa são estudados e comparados com os 20 pontos de algum parente”, disse. Estes pontos do genoma são bases de ácido ribonucléicos presentes no núcleo da célula, que variam de uma pessoa para outra. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica de Salmo Raskin explicou ao iG que logo após a morte de Bin Laden, os agentes devem ter recolhido amostras biológicas dele. Este material poderia ser uma gota de sangue retirada do coração, um dente, células da saliva coletadas com cotonetes (como fizeram com Sadam Hussein em 2006), unha, raiz do cabelo, ou ossos. De fato, o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Estados afirmou que várias amostras de DNA foi utilizadas para identificar Osama Bin Laden depois que as tropas dos EUA mataram o chefe da Al-Qaeda em uma operação no Paquistão.

Segundo a Associated Press, o deputado Mike Rogers afirmou existirem muitas amostras disponíveis de DNA de Bin Laden e de seus parentes, armazenadas há algum tempo.

O deputado republicano, um antigo agente do FBI, disse que, como resultado dos testes de DNA e outras técnicas, está "claro, sem sombra de dúvida" de que Bin Laden é a pessoa morta no ataque. De acordo com matéria publicada no site da revista Time, acredita-se que várias amostras de DNA de parentes de Bin Laden tenham sido coletadas ao longo da última década, desde o ataque de 11 de setembro. De acordo com o correspondente de Boston da rede ABC de notícias, uma destas amostras pertencia a uma das irmãs de Bin Laden que morreu recentemente de câncer cerebral no ano passado no Hospital geral de Massachusetts.

Raskin lembra que Bin Laden tem mais de cinqüenta irmãos, “alguns que moram nos Estados Unidos, inclusive”, disse. Irmãos filhos de mesmos pais têm 50% do DNA igual. “O ideal é fazer a comparação com o material genético do pai e da mãe, pois metade do material de uma pessoa vem do pai e a outra metade vem da mãe. É um teste direto. Outra possibilidade, a melhor delas, é em algum momento terem coletado amostras dele próprio quando ainda estava vivo”, disse.

(Com informações da AP)

    Leia tudo sobre: bin ladeneuaterrorismoafeganistãopaquistão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG