Como na Guerra Fria, Cuba sai em apoio à Rússia

HAVANA - Reavivando o comportamento-padrão da Guerra Fria, o presidente de Cuba, Raúl Castro, divulgou no domingo nota oficial de apoio à ação militar russa na região separatista georgiana da Ossétia do Sul. Raúl também se somou à exigência russa de que a Geórgia retire incondicionalmente as tropas enviadas na quinta-feira passada para tentar recuperar para Tbilisi o controle da Ossétia do Sul, que goza de autonomia desde a década de 1990, sob proteção de Moscou.

Reuters |

"É falso que a Geórgia esteja defendendo sua soberania nacional", disse Raúl em nota que parece refletir a recente reaproximação entre Havana e Moscou. "A solicitação de uma retirada prévia dos invasores é justa, e nosso governo a apóia".

Na semana passada, a Rússia reagiu à mobilização georgiana enviando tropas, tanques e blindados para a região, e no domingo os russos assumiram o controle de Tskhinvali, a capital local, enquanto a Geórgia oferecia um cessar-fogo e negociações de paz.

Raúl disse que a Ossétia do Sul não tem identidade nacional ou cultural com a Geórgia, e que mantém o status de "república autônoma". "A República Autônoma da Ossétia do Sul historicamente formou parte da Federação Russa", afirmou.

O dirigente comunista acusou ainda a Geórgia de ter feito a ação militar na Ossétia do Sul "em cumplicidade com os Estados Unidos".

Washington fez duras críticas a Moscou por sua reação "desproporcional e perigosa" contra a Geórgia.

Na semana passada, Raúl recebeu em Cuba o vice-premiê russo Igor Sechin, que declarou publicamente a intenção de "reativar" as antigas relações entre os ex-aliados da Guerra Fria.

Antes disso, a imprensa internacional noticiou que a Rússia poderia usar Cuba como base de reabastecimento de bombardeiros, numa reação à provável instalação de um escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu.

A Rússia negou tal intenção, mas a notícia reavivou lembranças da Crise dos Mísseis (1962), quando a instalação de ogivas nucleares soviéticas em Cuba, a menos de 150 quilômetros da Flórida, quase provocou uma Terceira Guerra Mundial.

A União Soviética patrocinava o regime cubano durante a Guerra Fria, dando-lhe bilhões de dólares em ajuda, até que o próprio regime soviético desmoronasse, em 1991. Herança daquela época, até hoje existe na zona oeste de Havana uma enorme embaixada russa.

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