Os presidentes da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e da Polônia, Lech Kaczynski, acusaram tropas russas de terem disparado tiros perto de um comboio em que viajavam. O incidente ocorreu em uma área controlada por tropas russas, em um posto de controle perto da república separatista da Ossétia do Sul, onde forças locais, georgianas e russas estiveram envolvidas em combates em agosto deste ano.

Em uma coletiva de imprensa, Saakashvili disse que o episódio - que não deixou feridos - foi claramente uma provocação da Rússia.

As forças russas que atuam na região e as autoridades da Ossétia do Sul negaram qualquer envolvimento no episódio.

"As alegações de que forças russas estejam implicadas no tiroteio contra a comitiva não correspondem à realidade", disse um porta-voz russo citado pela agência de notícias Interfax.

Conflito
Os dois presidentes se dirigiam a uma área em que ocorreram confrontos entre tropas da Geórgia e da Rússia em agosto e planejavam visitar vítimas do conflito.

Os confrontos em agosto se acirraram depois que a Rússia apoiou as tropas separatistas da Ossétia do Sul e expulsou as forças georgianas da república separatista.

O governo russo reconheceu formalmente a independência da Ossétia do Sul e de outra província separatista da Geórgia, a Abecásia.

Desde agosto, têm ocorrido diversos incidentes nessa região de fronteira, com um lado acusando o outro de violar o acordo de cessar-fogo mediado pela União Européia.

Revolução Rosa
O incidente deste domingo ocorreu no momento em que a Geógia comemora o quinto aniversário da Revolução Rosa, que derrubou a liderança pró-Rússia de Eduard Shevardnadze e levou Saakashvili ao poder.

No sábado, Saakashvili fez um apelo para que os georgianos se unam contra "a ameaça perigosa" da Rússia, assim como fizeram na revolução pacífica de novembro de 2003.

As comemorações deste ano foram ofuscadas depois do conflito de agosto com a Rússia. O único evento programado foi um concerto na ópera de Tbilisi, capital da Geórgia.

Grupos de oposição realizaram comícios pedindo a renúncia de Saakashvili. Uma das ex-aliadas de Saakashvili, Nino Burjanadze, aproveitou a data para lançar seu novo partido de oposição.

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