Comitês se mobilizam por Obama na periferia de Paris

Associações que funcionam nas periferias pobres de Paris, onde moram sobretudo imigrantes de origem árabe e africana, se mobilizaram a favor do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. O democrata seria visto nessas áreas, em que costumam ocorrer confrontos entre jovens e a polícia, como um símbolo de esperança para as minorias e um exemplo da possibilidade de ascensão social.

BBC Brasil |

Nos subúrbios da região da Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris, onde começou a onda de violência nas periferias francesas em 2005, comitês de apoio ao democrata lançaram camisetas e até um disco e organizam vários eventos para acompanhar a votação nesta terça-feira.

"Se Obama conseguir ser o presidente da primeira potência mundial, isso significa que as pessoas que moram nas periferias pobres de Paris também poderão, se elas estudarem e batalharem, exercer todos os cargos", diz Christian Bidonot, presidente da associação Outre-Mer Obama Organisation, que reúne a comunidade das Antilhas francesas.

"O! Oh! Obama"
A associação lançou até um disco, com a música O! Oh! Obama, interpretada pela Compagnie Créole, e organiza nesta terça-feira, nos arredores de Paris, o evento "Noite em claro por Obama", com debates, filmes, shows e telões para acompanhar ao vivo a apuração dos votos nos Estados Unidos até a manhã do dia seguinte na França.

"Qualquer que seja o resultado da eleição, haverá um antes e um depois de 4 de novembro", diz Bidonot.

Nas periferias pobres, onde os moradores normalmente se sentem excluídos da política e desconfiam dos eleitos em geral, jovens aparecem nas ruas usando camisetas com a imagem do candidato democrata, algo jamais visto em outras eleições presidenciais americanas.

"A vitória de Obama também representa a vitória das periferias francesas", afirma Kamel Hamza, vereador municipal na periferia de La Courneve, do partido UMP, do presidente Nicolas Sarkozy.

Hamza criou o comitê de apoio a Barack Obama da Seine-Saint-Denis, que conta com 1,2 mil membros e recolhe assinaturas a favor do candidato democrata.

Símbolo
Para o historiador François Durpaire, co-autor do livro A América de Barack Obama, a preferência pelo democrata nas periferias francesas não pode ser atribuída somente ao fato de ele ser negro, mas também ao fato de ele transmitir uma imagem e idéias progressistas.

"Se a secretária de Estado Condoleezza Rice, ligada ao presidente George W. Bush, fosse a candidata republicana, muito provavelmente as periferias francesas não teriam se mobilizado da mesma forma", diz Durpaire.

"Devido ao fato de Obama ser filho de imigrante africano e originário de uma família modesta, ele representa para os moradores dos subúrbios pobres da França o símbolo de uma mobilidade social que eles nunca viveram", afirma o historiador.

"Para nós, é o sonho americano. É só nos Estados Unidos que isso pode ocorrer", diz Ludovic Mensah-Beauclaire, que integra um grupo de moradores da periferia da Seine-Saint-Denis que viajou aos Estados Unidos para acompanhar a eleição desta terça-feira na sede do Partido Democrata, em Washington.

Segundo uma pesquisa Ifop divulgada pelo Journal du Dimanche no último domingo, 80% dos franceses afirmam estar dispostos "a votar no futuro em um candidato negro".

A maioria dos franceses é favorável à eleição de Barack Obama, segundo diferentes pesquisas divulgadas no país.

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