Comitês palestinos suspendem diálogo, mas negociação continua

Cairo, 17 mar (EFE).- Os cinco comitês palestinos que estão negociando fórmulas para reconciliar todos os grupos suspenderam suas conversas, com vários temas não resolvidos, mas ainda há uma sexta comissão que está tentando fechar acordos, disseram hoje fontes palestinas.

EFE |

"Ainda há alguns temas não resolvidos. É preciso vontade política de todas as partes para chegar a uma solução final em todos os assuntos", disse à Agência Efe Khalid Ata, dirigente da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP).

Em 10 de março, os cinco comitês começaram a analisar vários temas a favor da reconciliação palestina, em reuniões que ocorrem a portas fechadas em dependências dos serviços de inteligência do Egito, que faz a mediação neste diálogo.

Os comitês foram criados em reunião mantida em 26 de fevereiro, no Cairo, por dirigentes de cerca de dez grupos, a primeira vez em dois anos que todos eles se reuniam em uma mesma mesa. Sua missão deve estar completa no final deste mês.

Ata, representante de um dos grupos participantes destas conversas, não deu detalhes sobre a natureza das diferenças que ainda persistem, especialmente as entre os dois grupos mais importantes, o Hamas e o Fatah.

No entanto, disse que estão vinculadas às eleições presidenciais e parlamentares que inicialmente foram fixadas para 25 de janeiro de 2010, assim como a formação do Governo de união nacional, um dos objetivos deste diálogo.

Hassan Asfur, ex-ministro palestino para as Negociações com Israel e de Organização Local, disse à Efe que as diferenças se encontram praticamente nas cinco comissões, por isso os temas pendentes passaram a um sexto comitê de direção.

"Agora, depende do comitê de direção decidir os passos seguintes no diálogo", acrescentou Asfur.

Este comitê de direção é responsável por supervisionar os termos do diálogo e habitualmente intervém quando é necessário para reduzir as diferenças entre as diversas facções palestinas.

Entre os temas mais difíceis entre as partes, especialmente o Hamas e o Fatah, estão os acordos assinados entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e Israel.

O Hamas expressou seu desejo de respeitar estes acordos, mas o Fatah quer que esse movimento palestino, que controla a Faixa de Gaza, também cumpra esses convênios.

O Hamas não parece muito disposto a isso, porque implicaria em um reconhecimento implícito do Estado de Israel, algo que esse movimento palestino sempre se negou a fazer.

As negociações entre os grupos palestinos aconteceram no Cairo enquanto, paralelamente, representantes do Hamas mantiveram conversas indiretas com Israel, através de mediadores egípcios, para chegar a um acordo para a troca de prisioneiros. EFE nq/an

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