Comitê tenta mediar guerra de votos de socialistas franceses

Javier Alonso Martínez. Paris, 24 nov (EFE).- Um comitê especial do Partido Socialista francês (PS) tenta mediar a incômoda polêmica em que se encontra a segunda força política da França, pelo confronto aberto entre Ségolène Royal e Martine Aubry.

EFE |

A tarefa está ainda incompleta e fica aberta até amanhã, quando o comitê volta a se reunir para esclarecer aos responsáveis do partido a tarefa de designar formalmente a vencedora das polêmicas eleições internas de sexta-feira, destinadas a designar a próxima primeira-secretária.

Outra instância superior, o Conselho Nacional, será a encarregada de pronunciar publicamente o nome da ganhadora, que deverá assumir o desafio de reunir uma força política que nos últimos dias deu provas de uma profunda divisão.

Após suspender a reunião até amanhã, um responsável do PS, o secretário nacional Qadeer Arif, manifestou que "na grande maioria das federações" do partido a votação de sexta transcorreu sem problemas, assim como a apuração e atribuição de cédulas.

O Comitê de Verificação do PS começou em Paris uma reunião, que continuará amanhã e cuja tarefa será de tentar afastar as dúvidas sobre as irregularidades na votação de sexta.

A existência de apenas 42 votos de diferença entre Aubry -vencedora, segundo a única apuração por enquanto oficial- e Royal está na base da intervenção desta comissão, na qual cada uma das candidatas ao cargo de primeira-secretária do PS dispõe de três representantes e que deverá apurar eventuais irregularidades.

Embora Royal tenha declarado hoje mesmo que já não reivindica uma nova apuração, seus apoiadores pouco diminuíram o nível de enfrentamento verbal, para tentar salvar da derrota interna a ex-candidata à Presidência da República, perdida no ano passado para Nicolas Sarkozy.

Alguns dos militantes mais próximos a Royal tomaram iniciativas, como Manuel Valls, que ameaçou recorrer à Justiça, ou intervieram para dizer que justamente o Comitê de Verificação é a primeira jurisdição do PS.

Aubry, pelo contrário, e após proclamar sua vitória na madrugada de sábado, adotou uma atitude mais tranqüila, como declarou um de seus correligionários, Christophe Borge, quem assegurou à imprensa: "para nós tudo vai bem".

Um responsável do PS limitou-se a explicar depois da suspensão dos trabalhos da comissão especial interna que havia "poucas federações" regionais do partido afetadas pela controvérsia em relação aos votos.

Várias federações denunciaram irregularidades na apuração, que poderiam inclinar a balança a favor de uma ou de outra, já que a diferença dos resultados divulgados na sexta-feira é de apenas 42 votos a favor de Aubry, atual prefeita de Lille, no norte da França.

A federação de Moselle, no noroeste, por exemplo, informou que, por erro, tinha atribuído 12 votos a Aubry que na verdade seriam destinados a Royal.

Já em Gironde, no sudoeste, também se retificou a apuração, após constatar um falha na transmissão de dados que favoreceu Royal em 41 votos.

A margem de diferença entre a vencedora e a derrotada continua incerta, em um total de 134.734 votos de militantes socialistas, para apurar com clareza e sem controvérsia a liderança de um partido que, no fim de semana, moveu-se entre acusações e denúncias mútuas.

O espetáculo oferecido ao país pelo PS foi abordado em editorial do jornal "Libération", pela "extravagância" de que a liderança do partido possa ser decidida por intervenção de um tribunal e não por decisão de seus militantes.

No entanto, diante desta ameaça de judicialização que pesa sobre o PS, Royal interveio hoje para afirmar que o partido sairá da crise "dando a palavra aos militantes" e fazer um chamado "à serenidade, à responsabilidade e à calma". EFE jam/jp

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