Comitê indígena leva caso de massacre em Pando à ONU

Genebra, 3 out (EFE).- Uma delegação de indígenas, entre eles uma testemunha do massacre de camponeses ocorrido no departamento (estado) de Pando, em 11 de setembro passado, denunciou o caso à Organização das Nações Unidas (ONU).

EFE |

Nora Montero, presidente do Comitê de Vigilância dos Indígenas no município de Porto Rico e testemunha dos fatos, e Pedro Nuni, vice-presidente do Centro Indígena do Oriente Boliviano (Cidob) também pediram proteção à ONU e punição aos culpados.

Além dos 18 mortos confirmados e de 30 e 40 feridos, Nuni estima "100 desaparecidos, que certamente estão mortos", segundo declarou à Agência Efe.

Já em Genebra, a delegação recebeu a informação extra-oficial de que uma vala com até 14 corpos havia sido descoberta em Pando, segundo disse à Efe a embaixadora boliviana Angélica Alonso.

Tanto Montero como Nuni narraram os dois dias anteriores ao massacre, com a tomada de instituições públicas e destruição de documentação de ONGs, segundo eles, por funcionários públicos de prefeituras de Pando.

Nora Montero, que perdeu o marido no dia 11, disse à Efe que duas passeatas pacíficas, entre as cidades de Porto Rico e Filadélfia, sofreram uma emboscada no dia anterior, por forças do Comitê Cívico de Pando, funcionários municipais e outras pessoas armadas.

"Cinco dirigentes camponeses, inclusive eu, pedimos calma, mas eles dispararam e mataram dois, além de ferirem nove".

"Voltamos, mas em Porvir (cidade vizinha), cinco policiais - um boliviano e quatro brasileiros - nos esperavam. Depois, encapuzados, foram chegando armados e começaram a disparar".

Os que tentaram fugir, jogando-se no rio "foram baleados com metralhadoras, revólveres, escopetas e a água levou os corpos".

"Vi como matavam quatro crianças e uma mulher grávida. Meu marido morreu em defesa da democracia, e por isso estamos aqui, para denunciar em nível internacional os fatos; pedir ajuda e justiça", ressaltou Montero.

Já Nuni, afirmou que a situação segue tensa em Pando, apesar do estado de sítio declarado pelo presidente Evo Morales por 90 dias, do qual pediu a prorrogação, por, segundo ele, ainda haver ameaças contra camponeses.

Os dois também afirmaram que Ana Melena, presidente do Comitê Cívico de Pando, e acusada por eles de liderar o massacre, está refugiada no Brasil.

"Os matadores são pistoleiros pagos e narcotraficantes estrangeiros - peruanos e brasileiros", reiterou Nuni. EFE vh/jp/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG