Comitê entrega Nobel da Paz e pede libertação de premiado

Cadeira vazia representa o vencedor Liu Xiaobo, dissidente chinês que cumpre pena de 11 anos de prisão

iG São Paulo |

O comitê do Nobel entregou nesta sexta-feira o prêmio da Paz para o dissidente chinês Liu Xiaobo. Preso na China sob a acusação de "subverter o poder", Xiaobo não recebeu autorização para receber a homenagem pessoalmente e foi representado por uma cadeira vazia no palco da cerimônia, realizada em Oslo, na Noruega.

Em discurso, o presidente do comitê, Thorbjoern Jagland, pediu que a China liberte Liu Xiaobo, provocando aplausos de pé da plateia. Jagland também disse que a trajetória de Xiaobo "faz lembrar" a do líder sul-africano Nelson Mandela.

"O comitê Nobel sempre acreditou que existe uma conexão próxima entre direitos humanos e paz", disse Jagland no início da cerimônia. "Lamentamos que o homenageado não esteja presente."

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu um comunicado no qual lamentou o fato de Xiaobo não poder receber o prêmio. Obama, que ganhou o Nobel da Paz do ano passado, pediu à China que faça mais para promover o avanço da democracia e liberte o dissidente "o mais rápido possível".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu, criticou o "teatro político" do Nobel. "Esse tipo de teatro político jamais fará vacilar a determinação do povo chinês no caminho do socialismo com características chinesas", declarou, em comunicado.

O governo da China agiu para deter e restringir liberdades de aliados e simpatizantes do ativista, que cumpre pena de 11 anos de prisão. Nas últimas semanas, a China tem realizado um ampla campanha para desmerecer o prêmio concedido ao dissidente. A ONU diz ter relatos de que o governo chinês deteve pelo menos 20 ativistas, além de tentar impedir o trabalho da mídia ocidental.

Também foram noticiados pelo menos 120 casos de prisão domiciliar, restrições a viagens, cortes de acesso a telefone e internet, realocação forçada de pessoas e outros atos tidos como tentativas de intimidação por parte da China.

Guardas uniformizados e à paisana estão fazendo a guarda da residência da casa do dissidente. A mulher dele, Liu Xia, está em regime de prisão domiciliar.

Dos cerca de 50 países convidados para a cerimônia do Nobel da Paz, quase um terço não deverão comparecer - entre eles, Rússia, Arábia Saudita e Paquistão. Muitas das ausências são consideradas um resultado da pressão do governo chinês. A Sérvia, após ter comunicado que não participaria, voltou atrás e deve enviar um representante a Oslo. A decisão do país, que mantém fortes relações com a China, se deve a uma pressão da União Europeia (UE) e de grupos políticos internos.

Manifesto e prisão

Liu Xiaobo, 54 anos, foi preso em dezembro de 2009 devido a sua participação no manifesto Carta 08, que pedia mudanças políticas no país. O manifesto, assinado por 300 acadêmicos, artistas, advogados e ativistas, pedia uma nova Constituição, um poder judiciário independente e liberdade de expressão.

Antes disto, o Nobel da Paz já havia sido preso por participação nos famosos protestos da Praça da Praz Celestial em Pequim, em 1989, e por criticar em público o sistema político de partido único chinês.  Esta foi a primeira vez desde 1936 que o prêmio Nobel da Paz, no valor de US$ 1,5 milhão não foi entregue pessoalmente. 

Com BBC

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