Comitê do Parlamento britânico acusa News Corp. de bloquear investigação

Relatório acusa polícia britânica de série de falhas na investigação, além de não ter impedido tentativas de bloqueio da empresa

iG São Paulo |

Um relatório do Comitê de Cultura, Mídia e Esportes do Parlamento britânico que investiga o escândalo de escutas telefônicas ilegais envolvendo o jornal News of the World , extinto tabloide que fazia parte do conglomerado de mídia News Corp. de Rupert Murdoch, acusou nesta quarta-feira a empresa do magnata australiano de “tentativas deliberadas” de impedir o andamento das investigações.

AP
James e Rupert Murdoch prestam depoimento no Comitê de Mídia do Parlamento britânico (19/7)
O comitê do Parlamento britânico interrogou os principais envolvidos no escândalo na terça-feira e divulgou um relatório sobre a investigação nesta quarta-feira, em que aponta para falhas na investigações sobre os grampos.

Segundo o jornal americano The New York Times, o relatório diz que houve “tentativas deliberadas da News International de impedir várias investigações” sobre escutas telefônicas e acesso a caixas de correio de voz. Durante os depoimentos de terça-feira, Murdoch, seu filho James e Rebekah Brooks , ex-chefe-executiva da News International, braço britânico da News Corp., negaram saber da prática de escutas legais dentro do tabloide no período que ocorreram.

O comitê parlamentar também acusou a polícia de ter acumulado uma série de falhas na investigação sobre o escândalo das escutas telefônicas realizadas pelo tabloide do grupo News Corp. e não ter mostrado “determinação” para impedir tentativas de bloqueio da empresa. No documento, os 11 membros da comissão classificam de "muito pobre" a primeira investigação realizada pela Scotland Yard no período entre 2005 e 2006.

Cameron

O relatório foi divulgado horas antes de o primeiro-minsitro britânico, David Cameron, comparecer ao Parlamento , onde prestou depoimento sobre o caso nesta quarta-feira. Aos parlamentares, Cameron afirmou que não teria contratado o ex-editor do News of the World Andy Coulson se soubesse, na época, o que sabe hoje. Com isso, Cameron pareceu tentar se distanciar de Coulson, acusado de envolvimento no escândalo de escutas ilegais do tabloide.

"Me arrependo e sinto muito pelo furor que isso (a contratação de Coulson) causou. Se soubesse o que sei hoje, não teria oferecido o emprego a ele", afirmou o premiê, durante sessão de emergência no Parlamento britânico sobre o caso dos grampos. "Vivemos e aprendemos e - acreditem - eu aprendi."

Durante seu pronunciamento, Cameron anunciou que o inquérito que investiga o escândalo dos grampos será ampliado para examinar outros crimes relacionados à informação, como invasão de contas de emails por meios de comunicação britânicos.

O premiê buscou defender a atuação do governo britânico durante a crise dos grampos, negando haver qualquer tipo de relacionamento impróprio com a News International, que detinha o News of the World.
Cameron também negou que o governo britânico tivesse tentado influenciar a investigação policial sobre o caso. "O governo publicou toda a troca de emails com John Yates (ex-subcomissário-chefe da Scotland Yard) e o documento mostra que meu gabinete se comportou de forma correta", disse Cameron.

Comunicado

Em comunicado emitido nesta quarta, Murdoch assegurou que seu grupo converterá, após o escândalo das escutas ilegais na Grã Bretanha, "em uma companhia mais forte".

"Quero que todos vocês saibam que tenho absoluta confiança de que vamos emergir como uma companhia mais forte", disse Murdoch através de um comunicado dirigido a seus empregados. "Vai nos custar tempo reconstruir a confiança e a credibilidade, mas estamos decididos a cumprir com as expectativas de nossos acionistas, clientes, colegas e sócios", disse.

O News of the World, que deixou de circular no dia 10 , teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas do "News of the World" também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

*Com AFP

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