Comitê do Conselho de Segurança não chega a consenso sobre palestinos

Segundo relatório que discute adesão palestina na ONU, o comitê foi incapaz de recomendar com unanimidade ao Conselho de Segurança

iG São Paulo |

Um relatório preliminar feito por um importante comitê do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), obtido pela Reuters nesta terça-feira, declarou que os membros podem não chegar a um consenso sobre se a Palestina deve ser aceita como Estado membro de pleno direito da ONU .

Leia também: Abbas entrega à ONU pedido de reconhecimento de Estado palestino

AFP
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, observa o pedido formal de adesão de um Estado palestino à organização, entregue pelo presidente da ANP, Mahmud Abbas (23/9)

"O comitê foi incapaz de fazer uma recomendação unânime ao Conselho de Segurança", afirmou o relatório preliminar do comitê do conselho para a admissão de novos Estados membros.

O rascunho do documento foi enviado a todos os 15 membros do Conselho de Segurança nesta terça-feira. A minuta de quatro páginas parece confirmar que a iniciativa palestina para se unir ao organismo mundial como membro pleno deve fracassar em razão do impasse insolúvel do conselho.

Diplomatas ocidentais disseram que a solicitação estava condenada desde o início em razão da promessa dos EUA de vetá-la caso ela fosse a votação no conselho . O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, inscreveu o Estado da Palestina para a condição de membro pleno da ONU em 23 de setembro.

Os palestinos ainda podem insistir pela votação no Conselho de Segurança, mas diplomatas afirmam que não está claro se isso acontecerá. Os palestinos obteriam uma vitória moral e forçariam Washington a usar o seu veto caso fossem capazes de conseguir nove votos de apoio no conselho.

Qualquer resolução do conselho precisa de nove votos favoráveis - e nenhum veto - para ser aprovada. Diplomatas da ONU, porém, afirmam que os palestinos até agora conseguiram apenas oito votos.

A minuta detalha como o conselho está dividido em três grupos: entre os que apoiam a adesão palestina, os que não podem apoiá-lo e vão, portanto, se abster, e os que acreditam que o pedido não cumpre os critérios de admissão e, então, se opõem a ela. O texto, no entanto, não identifica os países.

O relatório diz que alguns países apoiam "como um passo imediato, (que) a Assembleia Geral adote uma resolução segundo a qual os palestinos possam se tornar um país-observador".

Os palestinos já tem o status de "entidade observadora", mas sugeriram anteriormente que poderiam procurar elevar esse status para o de Estado observador e não-membro, assim como é o Vaticano. Esse maior status implicaria em um reconhecimento implícito do seu Estado.

Diplomatas afirmaram que no encontro da semana passada, Rússia, China, Brasil, Índia, Líbano e África do Sul apoiaram o pedido palestino, os EUA se opuseram, enquanto o Reino Unido, a França e a Colômbia disseram que se absteriam se houver votação.

O Gabão e a Nigéria devem apoiar os palestinos, enquanto a Alemanha e Portugal provavelmente se absterão. Nenhum deles anunciou sua posição. A Bósnia, que também não deu nenhuma declaração sobre o assunto, deve se abster.

Os EUA e Israel afirmam que a pressão palestina para ser aceita na ONU é unilateral e procura desmerecer os diálogos para se alcançar paz na região. Abbas, colocou como condição para voltar à mesa de negociações o congelamento das construções israelenses nos territórios ocupados.

Os palestinos afirmam que essas negociações falharam em aproximá-los de um Estado independente nos territórios da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza. Eles dizem que agora é o momento de uma manobra diferente.

O relatório preliminar pode ainda ser revisado até quarta-feira antes de ser formalmente apresentado ao Conselho de Segurança na sexta-feira, disseram diplomatas sob a condição de anonimato.

Com AP e Reuters

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