GENEBRA (Reuters) - Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) interrogaram autoridades israelenses na terça-feira sobre centenas de acusações contra as forças de segurança do país, que teriam torturado detidos palestinos. O Comitê da ONU contra a Tortura, composto por 10 especialistas independentes, também questionou uma delegação israelense sobre a suposta existência de um centro secreto de detenção e interrogatório conhecido como Instalação 1391.

Israel defendeu sua atuação na sessão, que prosseguirá na tarde de quarta-feira, mas não tratou da questão do centro secreto.

O Estado judaico está entre sete países no banco dos réus na sessão de três semanas de duração que ocorre até 15 de maio.

"Toda queixa sobre tratamento inapropriado de prisioneiros e detidos é investigada e seriamente avaliada por autoridades competentes, e se há base legal, são executados procedimentos criminais ou disciplinares", disse Shai Nitzan, procurador-adjunto para assuntos especiais do Ministério da Justiça de Israel.

Quatro casos examinados por um inspetor independente terminaram em ações disciplinares, e diversos resultaram em "comentários gerais para os interrogadores da ISA (agência de segurança de Israel)".

O espanhol Fernando Marino Menendez, que integra o comitê, observou que a Convenção contra a Tortura, ratificada por Israel, insiste especificamente que não há justificativa para atos de tortura, mesmo em tempos de guerra ou de emergência.

Ele também expressou preocupação de que a lei israelense ainda não definiu o crime de tortura refletindo todas as cláusulas estabelecidas no pacto que entrou em vigor em 1987.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.