Comissões anunciam avanço e negociações entram em fase decisiva em Honduras

As comissões do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do líder interino do país, Roberto Micheletti, afirmaram que já concordaram com 90% de um acordo para pôr fim à crise política que se instalou no país após a deposição de Zelaya, em 28 de junho.

BBC Brasil |

"Avançamos em oito pontos, em 90% do marco referencial do acordo", disse Vilma Morales, integrante da comissão negociadora de Micheletti, após o fim da reunião da terca-feira.

As discussões estão sendo feitas com base no Acordo de San José, proposto pelo presidente costarriquenho Oscar Árias, que inclui a restituição de Zelaya, anistia política, a formação de um governo de união nacional, entre outros pontos.

Mayra Mejía, integrante da comisão zelayista, disse à BBC Mundo que as duas partes já começaram a discutir o ponto considerado essencial e que pode ser um entrave para o acordo: o retorno de Zelaya ao poder.

"Hoje iniciamos a discussão e esse vai ser o tema fundamental da reunião de amanhã (quarta-feira)", disse ela na terça-feira.

Consenso

Entre os temas já discutidos pelas duas comissões está a formação de um governo de união nacional, integrado pelas duas partes, e o compromisso de Zelaya de não convocar uma Assembleia Constituinte até o fim de seu mandato presidencial, que termina em 27 de janeiro de 2010.

Esse último ponto motivou a renúncia do sindicalista Juan Barahona, da comissão que representa Zelaya e um dos líderes da Frente de Resistência contra o Golpe. Ele considera a convocação da Assembleia "indispensável" e discorda da renúncia à Constituinte feita por Zelaya.

Apesar disso, Barahona afirmou que a saída da comissão negociadora não significa uma ruptura com o presidente deposto, que permanece na embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro.

O líder sindicalista já havia afirmado que a Frente irá aceitar um acordo que tenha o aval de Zelaya, mesmo que ele não inclua a convocação de uma Constituinte, mas acrescentou que os militantes continuarão a reivindicar por ela nas ruas de Honduras.

A convocação da Constituinte foi o estopim da deposição de Zelaya. O presidente hondurenho havia convocado uma consulta popular para o dia 28 de junho na qual indagava os eleitores se eles aceitariam a formação de uma Constituinte.

Mas a Constituição hondurenha impede consultas de tal natureza e exige que qualquer dirigente que tente modificar a carta do país seja afastado do cargo. Os opositores viram o gesto de Zelaya como uma manobra para que ele se candidatasse a um segundo mandato, algo proibido pela lei hondurenha.

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