Vida Augustauskene. Vilnius, 17 mai (EFE).- A comissária europeia Dalia Grybauskaité venceu hoje o primeiro turno das eleições presidenciais na Lituânia, segundo os primeiros resultados oficiais, mas ainda não se sabe se a participação é suficiente para evitar a segunda etapa das votações.

Com 13,67% das cédulas apuradas, Grybauskaité, comissária europeia de Programação Financeira e Orçamento e candidata independente, recebia 65,33% dos votos, informou a Comissão Eleitoral Central (CEC) em seu site.

Os adversários mais próximos entre os outros seis candidatos, o líder socialdemocrata, Algirdas Butkevicius, e a ex-primeira-ministra Kazimira Prunskiene, dirigente da Coalizão do Partido dos Camponeses-Nova Democracia, recebiam 12,62% e 7,27%, respectivamente.

Para vencer no primeiro turno, um candidato deve obter mais da metade dos votos emitidos, sempre que a participação superar 50% do censo, e, se for inferior, é preciso receber o apoio de pelo menos um terço do eleitorado.

A Comissão Eleitoral informou que, uma hora antes de fechar os colégios, a participação era de 44,28% do censo, o que, somando os que votaram antecipadamente e sem contabilizar ainda os sufrágios dos lituanos que moram no exterior, totalizava 49,4%.

Quase 2,7 milhões de eleitores inscritos no censo estavam aptos a votar nas eleições presidenciais, de um total de 3,4 milhões de habitantes, mas as pesquisas indicavam que até 46% do eleitorado rejeitavam participar da votação.

Se nenhum dos candidatos vencer no primeiro turno, os dois mais votados disputarão uma segunda etapa em 7 junho, coincidindo com as eleições ao Parlamento Europeu.

O presidente da CEC, Zenonas Vaigauskas, explicou que "a lei estabelece diferentes procedimentos para a apuração em função de se a participação é superior ou inferior à metade do censo".

"A participação atual é estimada em cerca de 50%, por isso podemos nos ver obrigados a não nos limitarmos à apuração eletrônica e a contar as cédulas manualmente, o que atrasaria o anúncio dos resultados", afirmou.

Em todo caso, ninguém duvida de que, seja no primeiro turno ou daqui a duas semanas, Grybauskaité se transformará na primeira mulher a presidir o país báltico, substituindo o atual chefe de Estado, Valdas Adamkus, de 82 anos.

A comissária europeia, de 53 anos, é uma das poucas personalidades respeitadas e com fama de profissional, em contraste com a ampla desconfiança popular nas instituições oficiais e nos partidos políticos, acusados de populismo e atingidos por escândalos de corrupção.

Grybauskaité, ex-ministra de Finanças, foi a negociadora do acordo de livre-comércio da Lituânia com a União Europeia e para a entrada do país no bloco, em 2004, quando passou a trabalhar na Comissão Europeia, o órgão Executivo da UE.

A comissária disse que a decisão de abandonar a CE e concorrer às eleições foi tomada pela preocupação com o impacto da crise, sobretudo após os violentos confrontos de janeiro em Vilnius em protesto contra as políticas adotadas pelo Governo para conter a crise financeira.

A Lituânia, assim como suas irmãs bálticas, Letônia e Estônia, foi fortemente afetada pela recessão, o que obriga o Governo a cortar gastos, enquanto cresce o desemprego e o descontentamento popular, e a economia ameaça cair em mais de 15% ao ano.

Grybauskaité propõe estabilizar as finanças públicas, assimilar rapidamente os fundos estruturais da UE (este ano, a Lituânia deve receber quase 1,445 bilhão de euros), estimular a exportação e alterar a política fiscal para apoiar a livre empresa.

A única mancha em sua campanha foram os rumores, desmentidos por ela categoricamente, de que Grybauskaité - solteira, sem filhos e faixa preta em caratê - seria lésbica, pois o homossexualismo ainda é um tabu na Lituânia, país com fortes raízes católicas.

A comissária europeia também rejeitou as tentativas dos adversários de desqualificar sua candidatura sob diferentes pretextos, e vinculá-la aos serviços secretos soviéticos durante seus tempos de estudante da Universidade de Leningrado.

"Nunca tive vínculos com a KGB. Não representava para eles nenhum interesse, pois nos meus tempos de estudante trabalhava, além disso, em uma fábrica de peles, onde fazia um trabalho físico muito duro", afirmou. EFE va/db

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