Comissária européia diz que Rússia deve responder por atuação na Geórgia

Bruxelas, 21 out (EFE) - A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, afirmou hoje que, no futuro, a União Européia (UE) deverá pedir à Rússia para assumir a responsabilidade econômica por sua atuação na Geórgia.

EFE |

"A Rússia não estará na Conferência de Doadores, mas, sejamos claros, chegará a hora em que teremos que conversar com eles também sobre os danos causados", afirmou a comissária no Parlamento Europeu (PE) um dia antes de tentar arrecadar 2,38 bilhões euros para a reconstrução da Geórgia no evento.

A divergência na UE para retomar as relações com a Rússia após sua retirada das partes ocupadas na Geórgia se repetiu hoje nos discursos dos eurodeputados, já que, apesar de a maioria ter apelado ao interesse mútuo de retornar às relações, outros opinaram que seria um "suicídio".

Em resposta, o secretário de Estado de Assuntos Europeus francês, Jean-Pierre Jouyet, considerou que o conflito com a Geórgia "não deve afastar o objetivo de manter relações fluentes com a Rússia", no marco do diálogo para um novo acordo de associação, "mas ao contrário".

"Precisamos de relações sóbrias com a Rússia, não podemos voltar à Guerra Fria, nem transigir em nossos valores e princípios, mas, para ser firmes, devemos instaurar um verdadeiro diálogo", afirmou.

Deste modo, "à vista da polarização do debate na UE", se dirigiu aos "novos países", contrários, em sua maioria, a aprofundar as relações com seu antigo centro de influência, para advertir de que uma divisão enfraqueceria o bloco.

Por isso, confiou em "falar com uma só voz" durante a próxima reunião da UE com a Rússia, em 14 de novembro, em Nice.

Ferrero-Waldner também insistiu nesse argumento, que lembrou que a "interdependência de UE e Rússia é total", tanto em energia quanto em segurança.

Vários eurodeputados criticaram a postura da Presidência de turno francesa e dos países do bloco que querem retomar o diálogo com Moscou.

"A Rússia quer humilhar a UE, os expurgos étnicos continuam e alguns Estados fingem que não acontece nada", advertiu o deputado Konrad Szymansky, do grupo parlamentar da Europa das Nações.

Ele acrescentou que, por haver russos nos países bálticos, também podem alegar no futuro que estes cidadãos "precisam de proteção", como fez no caso da Ossétia do Sul e da Abkházia.

A este respeito, o secretário de Estado francês lembrou que "a Rússia respondeu de maneira desproporcional, mas antes houve uma ação da Geórgia", que entrou com seu Exército nos citados territórios.

O deputado Gérard Batten, do grupo Independência e Democracia, disse que "o Kremlin ganhou tudo o que queria em uma negociação de saldo com Sarkozy: uma Rússia vitoriosa, uma Organização do Tratado do Atlântico Norte humilhada, e uma UE dividida".

Por seu lado, os grupos majoritários se alinharam com a postura de retomar o diálogo com os russos. EFE met/db

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