La Paz, 15 out (EFE).- O argentino Rodolfo Mattarollo, comissário da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para investigar o massacre no estado boliviano de Pando, anunciou que visitará os opositores autonomistas que fugiram para o Brasil após os violentos confrontos de setembro.

O ex-subsecretário argentino de Direitos Humanos antecipou à aagência Efe que uma "missão de reconhecimento" chefiada pelo brasileiro Fermino Fechio visitará os opositores autonomistas bolivianos que fugiram para o Brasil vindos de Pando, região que continua sob estado de sítio.

A missão de "reconhecimento" cruzará a ponte que separa a capital de Pando, Cobija, para chegar à cidade de Brasiléia, onde segundo as informações de que dispõe Mattarollo há "um grande número de pessoas que deixaram o território boliviano".

O ex-funcionário argentino dirige na Bolívia uma "comissão da verdade" que investiga os enfrentamentos de 11 de setembro deste ano, entre colaboradores do Governo de Evo Morales e opositores autonomistas.

O Executivo decretou o estado de sítio na região um dia depois do que considera uma "massacre de camponeses", no qual morreram pelo menos 18 pessoas, segundo dados do Defensor público citados por Mattarollo.

Esse foi o pior episódio da onda de violência que se estendeu por várias regiões bolivianas no mês passado e que obrigou à oposição e ao Governo iniciar um processo de diálogo para pacificar o país.

"Estamos dando um passo que precisa se entender claramente como cumprimento do mandato que recebemos dos presidentes sul-americanos de atuar com total imparcialidade", acrescentou o subsecretário de Direitos Humanos da Argentina.

Mattarollo comentou que após o "reconhecimento do terreno" que efetuaram há semanas em Pando agora sua equipe aborda uma "nova fase" de seus trabalhos, que consistirá na "investigação concreta" e "mais profunda".

Segundo a informação preliminar do comissário da Unasul, em Pando houve "execuções sumárias, denúncias de torturas" além dos "desaparecimentos que não foram esclarecidos".

O argentino anunciou que o relatório que apresentarão "não será somente descritivo", mas contará como ocorreram os fatos segundo a "convicção moral" da comissão.

"Isso vai apontar inevitavelmente os responsáveis por ação ou omissão destes fatos gravíssimos de violação dos Direitos Humanos", esclareceu.

"Vamos assumir nossa responsabilidade política e ética de dar nossa opinião como faz uma comissão da verdade", disse Mattarollo, ponderando que não são "um tribunal de justiça penal".

"Não somos juízes, não somos promotores", afirmou.

"Apesar de extremamente rigorosa, estamos realizando uma investigação que não pode se prolongar ilimitadamente no tempo, nem sequer vários meses", apontou.

Mattarollo também adiantou que na sexta-feira a comissão de Unasul se reunirá com os representantes diplomáticos da União Européia em La Paz para informar-lhes do avanço de seus trabalhos.

EFE az/jp

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