Comissão para de investigar membros da Scotland Yard por grampos

Quatro ex-autoridades da polícia britânica eram investigadas por relação com jornalista do extinto tabloide News of the World

iG São Paulo |

AP
John Yates ainda será investigado pela acusação de ter dado cargo à flha de ex-repórter do News of the World (foto de arquivo)
A Comissão Independente de Queixas Policiais (IPCC) britânica encerrou nesta quarta-feira uma investigação contra quatro ex-autoridades do alto escalão da Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) relacionada ao escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World .

A vice-presidente da comissão, Deborah Glass, disse que não foram encontradas evidências de má-conduta da polícia durante as investigações sobre o escândalo.

Segundo ela, embora o caso tenha abalado a confiança pública na Scotland Yard, cabe à sua organização identificar “o que é e o que não é conduta policial que mereça ser investigada”.

Os alvos da investigação eram o ex-comissário-chefe da Scotland Yard Paul Stephenson, o ex-vice-comissário-chefe John Yates, o ex-comissário-assistente Andy Hayman e o ex-vice-comissário-assistente Peter Clarke.

Stephenson renunciou ao cargo após revelações de que ele contratou um editor-executivo do tabloide, Neil Wallis , como consultor de comunicação da Scotland Yard. Wallis também está envolvido no escândalo dos grampos.

Yates renunciou um dia depois de Stephenson. Ele foi responsável por checar o histórico de Wallis antes de sua contratação. Além disso, em 2009 Yates decidiu não reabrir uma investigação sobre escutas telefônicas ilegais noNews of the World", dizendo não haver evidências de novas irregularidades.

Ele foi o policial que decidiu, em 2009, que não era necessário abrir uma nova investigação policial contra o News of the World. A comissão disse que Yates tomou uma decisão errada, que não vê razão para interrogá-lo sobre isso outra vez.

Yates, porém, será alvo de inqúerito por outra acusação: a de que usou sua influência para garantir um emprego para a filha de Neil Wallis na Scotland Yard. Ele nega ter cometido irregularidades.

Carta de ex-repórter

Na terça-feira, o Parlamento britânico divulgou uma carta escrita por um ex-repórter do News of the World na qual acusa a direção do jornal de saber e apoiar o uso de escutas ilegais para obter informações confidenciais.

O documento foi escrito em 2007 por Clive Goodman, ex-editor de assuntos relacionados à Família Real britânica, foi condenado à prisão no mesmo ano por conta das escutas ilegais do tabloide.

A News International, braço britânico da News Corporation de Rupert Murdoch, que era dona do tabloide, afirmou várias vezes que Goodman era o único jornalista envolvido no caso.

Mas na carta endereçada ao diretor de Recursos Humanos da News International, Daniel Clocke, o ex-repórter do News of the World afirma que os grampos eram “amplamente discutidos” em reuniões editoriais e que não poderia ser demitido porque atuava com o consentimento de seus superiores.

“A decisão é perversa porque as ações que levaram a essa ação criminal foram feitas com conhecimento e apoio total (da direção). E é inconsistente porque outros membros da equipe estavam fazendo o mesmo”, escreveu.

O ex-repórter diz também que a prática só deixou de ser discutida explicitamente a pedido do editor do News of the World, que na época era Andy Coulson.

Coulson editou o tabloide entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação em 2007, após a condenação de Goodman. Depois, assumiu o cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao qual renunciou em janeiro por causa das novas denúncias contra o jornal.

Com AP, BBC e EFE

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