Três viúvas e duas filhas foram questionadas por comissão que investiga a operação americana que matou o líder da Al-Qaeda

Em foto de 1988, Bin Laden fala aos jornalistas em em Khost, Afeganistão
AP
Em foto de 1988, Bin Laden fala aos jornalistas em em Khost, Afeganistão
Uma comissão paquistanesa independente que investiga a operação americana que culminou na morte de Osama bin Laden interrogou três viúvas e duas filhas do então líder da rede terrorista Al-Qaeda, informou um comunicado do governo nesta quarta-feira.

A família de Bin Laden prestou um depoimento na terça-feira no Tribunal Supremo durante um "exaustivo interrogatório", detalhou o comunicado. A comissão também entrevistou o chefe paquistanês de espionagem, o general Ahmed Shuja Pasha, e um médico acusado de ter ajudado o serviço de inteligência americano executando um programa falso de vacinação para tentar obter uma amostra de DNA de bin Laden e sua família, disse o comunicado.

Os investigadores se reuniram com Pasha, que lidera a poderosa agência de espionagem do país, conhecida como diretório de Inteligência Inter-Serviços (ISI), na quarta, e planejam encontrá-lo novamente na quinta-feira.

Criada no fim de maio a pedido do governo paquistanês, a comissão composta por cinco membros é liderada por Haved Iqbal, magistrado do Trinunal Supremo do Paquistão.

Osama bin Laden foi executado no dia 2 de maio, em uma operação unilateral noturna das forças especiais dos EUA na cidade paquistanesa de Abbottabad . Especula-se que o líder da Al-Qaeda tenha vivido nessa cidade por cinco anos com as três esposas interrogadas e cerca de dez crianças.

As três viúvas e o médico estão sob custódia desde pouco depois da execução de Bin Laden.

A morte do terrorista, autor dos atentados do 11 de Setembro , na sede da principal academia militar do país, afastada das áreas conflituosas, alimentou as suspeitas de que a segurança do Paquistão estivesse protegendo-o. O governo negou essa teoria e qualificou a ação americana como uma violação de sua soberania.

Em julho, autoridades paquistanesas quiseram extraditar uma das mulheres de Bin Laden nascida no Iêmen, Amal Ahmed Abdullfattah. Entretanto, a comissão barrou a extradição de membros da família de Bin Laden para poder questioná-los. Depois, a comissão impôs a mesma restrição ao médico, ao mesmo tempo em que Washington tentou sua libertação.

As relações entre os EUA e o Paquistão se deterioraram muito desde a morte de Bin Laden, estando em um de seus piores momentos desde que há uma década o Paquistão se aliou aos EUA na guerra contra o terrorismo.

Com AP e EFE

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