Comissão Eleitoral denuncia morte 11 funcionários em pleito afegão

Por Diego A. Agúndez.

EFE |

Cabul, 22 ago (EFE).- Dois dias após as eleições afegãs, a Comissão Eleitoral (CE) comunicou hoje a morte de 11 de seus membros em ataques cometidos pelos talibãs, que também cortaram dedos de dois eleitores em Kandahar (sul).

"Soubemos que 11 funcionários da CE (...) morreram em ataques brutais dos inimigos da paz", termo com o qual o Governo afegão se refere aos rebeldes, informou a Comissão num comunicado.

Os talibãs, que anunciaram um boicote ao pleito, ameaçaram promover uma série de atos violentos para desestabilizar o processo eleitoral, considerado por eles pura "propaganda" americana.

Dentro do que prometeram, os insurgentes amputaram o dedo de pelo menos dois eleitores de Kandahar no dia do pleito, informou hoje a Fundação Afegã para Eleições Livres e Justas, um órgão independente.

"Um de nossos observadores viu como os insurgentes cortaram o dedo manchado de tinta (método usado para marcar os eleitores que já votaram) de duas pessoas na província de Kandahar", disse à Agência Efe o presidente da entidade, Nader Nader.

Numa entrevista coletiva anterior, Nader havia dito que os observadores da fundação foram testemunhas de atos violentos dos talibãs em sua maciça campanha para intimidar os eleitores.

Apesar das irregularidades registradas durante a votação e de os talibãs terem atrapalhado o pleito na região sul, a Comissão Eleitoral descartou uma fraude maciça na eleição e prometeu estudar as denúncias apresentadas.

Hoje mesmo, por exemplo, o candidato Mirwais Yasini apareceu no luxuoso Hotel Intercontinental de Cabul - quartel-general dos observadores - com duas sacolas cheias de cédulas com seu nome supostamente tiradas ilegalmente de urnas do sul do país.

Apesar dessas denúncias, a missão de observadores da União Europeia no Afeganistão avaliou positivamente as eleições presidenciais, que, "de modo geral", foram bem organizadas, a despeito de algumas falhas no processo e de insuficiências institucionais.

"(A missão) considera a realização das eleições uma vitória frente àqueles que queriam impedir os afegãos de decidir seu próprio futuro", disseram os observadores num comunicado divulgado neste sábado.

A missão, que supervisionou o processo eleitoral nos dois últimos meses, concluiu que a Comissão Eleitoral afegã conseguiu atuar com eficácia, apesar de algumas "insuficiências operacionais e falhas institucionais".

Segundo a nota, muitos candidatos puderam estabelecer um debate genuíno sobre os problemas do país, embora a campanha tenha sido ofuscada por ataques contra funcionários da CE, pela parcialidade a favor de alguns candidatos e pela discriminação sofrida pela mulher.

"O exercício dos direitos civis e políticos das mulheres, tanto na qualidade de eleitoras como de candidatas, esteve severamente limitado nas eleições, apesar de previsto na Constituição", destacaram os observadores europeus.

A missão supervisionou a transparência do pleito com um grande número de afegãos e estrangeiros nas ruas.

No dia da votação, aproximadamente 17 milhões de pessoas foram convocadas às urnas para escolher o presidente do país e renovar as assembleias regionais. Durante a jornada eleitoral, 52 pessoas morreram, das quais 21 eram insurgentes, segundo versões oficiais.

Segundo a Comissão Eleitoral, o comparecimento às seções deve variar de 45% a 50%. A previsão é que os primeiros resultados sejam divulgados na terça-feira.

O Afeganistão é um país sem censo e com um alto índice de analfabetismo, um conflito armado que causa milhares de mortos todos os anos e comunicações falhas e dificultadas pelo relevo acidentado.

EFE daa/sc

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