Comissão eleitoral afegã invalida os primeiros votos por fraude nas eleições

CABUL - A Comissão Eleitoral de Reclamações (ECC) afegã anunciou nesta quinta-feira ter ordenado as primeiras anulações de votos fraudulentos na eleição presidencial do dia 20 de agosto em 83 dos mais de 25.000 colégios eleitorais do país.

Redação com agências internacionais |

De acordo com os últimos resultados divulgados na terça-feira, após a apuração de 91,6% dos colégios, o atual presidente Hamid Karzai lidera a corrida com 54,1% dos votos, contra 28,3% de seu principal rival, Abdulah Abdulah.

Mas os resultados da votação, cuja legitimidade já foi questionada por suspeitas de irregularidade e o baixo nível de participação, só serão oficializados depois que a ECC concluir as investigações sobre as denúncias de fraude, que são milhares.

A maioria das urnas da eleição presidencial evolvidas em denúncias de fraude veio de lugares dominados politicamente por Karzai. A maioria foi recolhida em 51 mesas eleitorais no sul de Kandahar - província natal do atual presidente e capital espiritual do Taleban.

"A ECC encontrou provas evidentes e convincentes de fraude em cinco colégios eleitorais da província de Paktika", no leste do país, "em 32 da província de Ghazni", também no leste, e em "51 da província de Kandahar", no sul, indicaram dois comunicados da autoridade eleitoral.

"Como consequência, a ECC ordenou que todas as cédulas" destes colégios "sejam invalidadas e excluídas da contagem dos votos", segundo a mesma fonte.

Alguns dos votos anulados na província de Ghazni são também das eleições provinciais, que aconteceram no mesmo dia do pleito presidencial.

Segundo a ECC, que é apoiadas pelas Nações Unidas, as provas de fraude em Paktika e Kandahar consistem em "indícios nas urnas, nos formulários que as acompaham e no estado das próprias urnas, dado que as cédulas não foram depositadas de maneira legal ou não foram contadas de maneira legal", segundo um comunicado.

Em Ghazni, a ECC encontrou "um certo número de indícios de fraude, entre os quais cédulas de votação abertas (...), cédulas contadas irregularmente, (...) material faltante", nomes de candidatos marcados exatamente da mesma maneira e listas de eleitores com nomes fictícios.

A ECC "continua investigando outras denúncias de fraude" em Paktika, Ghazni, Kandahar "e outras províncias", informou.

Oposição alega fraude

Vários observadores afegãos e estrangeiros denunciaram as fraudes no dia da eleição presidencial.

Abdullah Abdullah, principal rival de Hamid Karzai nas eleições celebradas em agosto no Afeganistão, questionou a imparcialidade da Comissão Eleitoral (IEC) do país ao acusar esse organismo de apoiar ao presidente afegão.

Em entrevista divulgada nesta quinta-feira pela cadeia britânica "BBC", o ex-ministro afegão de Assuntos Exteriores afirma que a IEC "não é independente em absoluto", já que "está do lado do presidente Karzai".

Segundo Abdullah, a Comissão Eleitoral "é corrupta e sua negligência está agora estendida". "Acredito - ressalta o candidato eleitoral - que não é bom para o país que alguém que comete fraude maciça dirija o país durante cinco anos".

* Com AFP

Leia mais sobre Afeganistão

    Leia tudo sobre: afeganistão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG