Comissão do Senado aprova novo comandante para Afeganistão

Indicado para comando dos EUA e da Otan no país asiático, David Petraeus agora precisa ser confirmado por plenário do Senado

EFE |

AP
General David Petraeus sorri durante audiência nesta terça-feira no Senado dos EUA
O Comitê de Serviços Armados do Senado americano aprovou nesta terça-feira a nomeação do general David Petraeus para liderar as tropas dos Estados Unidos e da Organização do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, o que abre caminho para sua votação definitiva no plenário da Casa.

A votação no plenário do Senado pode ocorrer ainda nesta semana, mas o escritório do líder da maioria na Casa, Harry Reid, ainda não divulgou a data. Petraeus foi nomeado pelo presidente Barack Obama na semana passada em substituição ao general Stanley McChrystal, que renunciou ao cargo após uma polêmica entrevista à revista "Rolling Stone", em que criticou altas autoridades do governo dos EUA.

Em sua audiência de confirmação nesta terça-feira no Senado, Petraeus afirmou que os EUA não permanecerão no país asiático "para sempre", dizendo que a estratégia de saída dependerá das condições no terreno.

A audiência esteve dominada pelas divisões entre democratas e republicanos em torno da estratégia militar no Afeganistão, em particular pela data de julho de 2011 que Obama fixou para começar a retirada dos soldados americanos do país.

Sobre essa data, Petraeus explicou perante o comitê que ela não foi imposta unicamente para consumo interno - a guerra afegã, iniciada em 2001, é agora o conflito mais prolongado dos EUA -, mas também como uma mensagem "para Cabul, mostrando que o país não estará ali para sempre".

"Mas estaremos ali, suponho que durante bastante tempo", esclareceu Petraeus, considerado o principal responsável pelo reforço militar no Iraque em 2007, que contribuiu para fortalecer o combate contra a rede terrorista Al-Qaeda e para mudar o andamento desse conflito. Dessa forma, Petraeus reafirmou o compromisso em longo prazo dos EUA no Afeganistão.

Ele também advertiu para a piora do conflito nos próximos meses: "Acho que as duras batalhas continuarão. De fato, podem ser intensificadas nos próximos meses."

Ativistas contra a impopular guerra no Afeganistão protestaram com cartazes com mensagens que manifestavam seu descontentamento com a escalada do conflito nesse país.

A situação no Afeganistão é muito distinta da do Iraque, e nos corredores do Congresso há muita preocupação com o ressurgimento da milícia islâmica Taleban, os atrasos na ofensiva na Província de Kandahar e os contínuos problemas de corrupção no governo afegão.

Nesse sentido, o presidente do Comitê, Carl Levin, disse que os desafios no Afeganistão são "tão ou mais complexos" do que os que Petraeus herdou quando assumiu o comando no Iraque há três anos, porque o progresso foi irregular.

"Embora tenha havido um retorno à normalidade na Província de Helmand, a intimidação por parte de insurgentes e a violência continuam ameaçando a administração e o desenvolvimento no sul", onde há poucos soldados afegãos à frente das operações bélicas, destacou Levin.

Ele acrescentou que o governo afegão "ainda não ofereceu serviços para ganhar alianças em nível local", afirmando haver a preocupação com as minorias do Tajiquistão e Usbequistão sobre a suposta aproximação do presidente Hamid Karzai com os líderes Taleban por meio de intermediários paquistaneses.

O senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain afirmou que o Afeganistão "não é uma causa perdida" e os afegãos não querem o retorno dos Taleban. Por isso, McCain considerou que a data de julho de 2011 é arbitrária para as operações contra os insurgentes. "Estamos pedindo aos afegãos que corram um grande risco. Se pensarem que começaremos a sair em um ano, não estarão dispostos a aceitar", disse.

Mas Levin e outros líderes democratas consideram que essa data "divide um necessário sentido de urgência aos líderes afegãos sobre a necessidade de que assumam a principal responsabilidade pela segurança de seu país".

Petraeus também aproveitou a audiência para expressar sua admiração por McChrystal porque, em sua opinião, ele "dedicou toda sua vida profissional à defesa da nação. Além disso, ele e sua família fizeram enormes sacrifícios pessoais durante seus longos deslocamentos, particularmente nos últimos nove anos". A previsão é de que Petraeus consiga sem impedimentos a confirmação no plenário do Senado.

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