Comissão do Parlamento venezuelano critica asilo político a opositor

Caracas, 27 abr (EFE).- A decisão do Governo peruano de conceder asilo político ao líder opositor venezuelano Manuel Rosales viola o direito internacional, afirmou hoje o presidente da Comissão de Política Externa do Parlamento da Venezuela, o deputado governista Roy Daza.

EFE |

Daza pediu ao Congresso peruano que "rejeite a solicitação" de asilo apresentada por Rosales e "concedida pelo Governo" do presidente Alan García, "por considerar que viola o direito internacional".

Em entrevista à estatal "Agencia Bolivariana de Noticias" ("ABN"), o deputado governista alegou que os acordos internacionais sobre a questão "indicam que o crime de corrupção não justifica o asilo".

O mecanismo de asilo se ativa "por razões de caráter político, humanitário, de discriminação racial", afirmou Daza, um dos 167 membros da unicameral Assembleia Nacional (AN), quase todos aliados ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"A decisão do Governo do Peru terá que ser submetida à revisão pelo menos na Comissão de Política Externa do Parlamento, onde vamos analisar este tema na reunião ordinária de quarta-feira", destacou o legislador.

Ele acrescentou que o "dever" do Governo peruano "é capturar Rosales e entregá-lo à justiça venezuelana, assim como o Governo da Venezuela fez em junho de 2001 com Vladimiro Montesinos, principal assessor do ex-presidente do Peru Alberto Fujimori".

Por enquanto, nem a Chancelaria nem a Presidência venezuelanas se pronunciaram sobre a decisão do Governo peruano, cujo chanceler, José Antonio García Belaúnde, disse esperar que não afete as relações bilaterais.

O analista internacional Carlos Romero destacou que a decisão de conceder asilo político a Rosales "é uma faculdade" exercida pelo Governo peruano e, por isso, a Venezuela "não tem direito de espernear".

Por sua vez, o advogado do opositor, o peruano Javier Valle Riestra, comemorou a decisão do Governo peruano e afirmou que o asilo político é "um novo começo" na carreira de Rosales.

Valle Riestra mostrou aos jornalistas a carta que a Chancelaria peruana entregará amanhã a Rosales, na qual se confirma que o pedido de asilo foi aceito, e a qual contém as obrigações às quais o líder deverá se submeter.

No documento indica-se que "os asilados deverão respeitar a Constituição Política e as leis da República (peruana), e não intervirão em assuntos políticos ou de outra índole que comprometam a segurança nacional, as relações ou os interesses do Estado peruano". EFE gf/db

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