Nairóbi, 19 set (EFE) - A Comissão de Investigação Independente (Irec) informou hoje que, segundo as apurações realizadas, não é possível saber quem venceu as eleições de dezembro no Quênia, nem quais foram os responsáveis pelos massacres que seguiram o pleito, nas quais 1.500 pessoas morreram.

Na presença do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o juiz sul-africano Johann Kriegler, presidente da Irec, acrescentou: "Não pudemos reunir as provas para acusar um lado ou outro de roubar as eleições".

Após apresentar o relatório, várias organizações da sociedade civil disseram que as conclusões "são insuficientes, pouco incisivas e favorecem a impunidade dos instigadores da violência, ao não pedir aos tribunais que abram causas judiciais".

Dois representantes do Movimento Democrático Laranja (ODM), partido do atual primeiro-ministro, Raila Odinga, disseram aos jornalistas que a Irec "poderia ter obtido provas que delatassem os culpados" dos massacres ocorridos no país.

"Houve práticas corruptas e subornos em absolutamente todos os distritos eleitorais", disse Kriegler, para quem as irregularidades do pleito de 27 de dezembro "não são uma novidade" no Quênia, pois ocorreram situações parecidas "em todas e em cada uma das eleições realizadas desde a independência".

Para ele, "saber agora quem venceu as eleições realmente não ajudaria em nada os quenianos", após a formação de um Governo de coalizão no país.

O relatório aponta como principal responsável das irregularidades a Comissão Eleitoral queniana, que anunciou três dias após o pleito a vitória do presidente, Mwai Kibaki, apesar de os dados provisórios indicarem que a oposição, liderada por Odinga, tinha vencido.

Por esse motivo, a Irec recomendou que se mude a composição da Comissão Eleitoral, suas funções e inclusive seu nome, para que possa atuar com credibilidade. EFE pa/db

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