Comissão diz que Colômbia deve se responsabilizar por ataque guerrilheiro

Bogotá, 17 dez (EFE).- O Estado colombiano deve aceitar a responsabilidade pela ocupação guerrilheira e o excesso da força utilizada na recuperação do Palácio de Justiça, em ação que deixou 100 mortos em 1985, considerou hoje a Comissão da Verdade formada há quatro anos para investigar o ocorrido.

EFE |

"Realmente é indiscutível que houve um excesso da polícia na recuperação", declarou em Bogotá o magistrado Nilsson Pinilla, um dos três membros do comitê investigador.

"Consideramos que o Estado colombiano tem que aceitar a responsabilidade por esses fatos", expressou Pinilla ao término de um ato no qual a Comissão da Verdade sobre os fatos do Palácio da Justiça (CVPJ) apresentou seu relatório final.

Os ex-magistrados Jorge Aníbal Gómez e José Roberto Herrera são os outros dois integrantes do órgão de investigação.

Além disso, segundo o CVPJ, o traficante Pablo Escobar, chefe do cartel de Medellín e morto em 1993, financiou a ocupação guerrilheira do Palácio da Justiça e entregou armas aos responsáveis pela ação.

Escobar "entregou US$ 2 milhões" a Ivan Marino Ospina, então chefe do Movimento 19 de abril (M-19), e membros desse grupo guerrilheiro receberam armas para realizar o ataque, explicou Pinilla.

Em 6 de novembro de 1985, 40 rebeldes do agora extinto M-19 invadiram a sede judicial, situada no centro histórico de Bogotá. No dia seguinte, a ocupação chegou ao fim com o Palácio da Justiça reduzido a escombros.

Após a ação dos guerrilheiros, as Forças Militares iniciaram uma operação para retomar o controle do palácio.

Segundo os magistrados, houve nessa ação um uso excessivo da força e a vida dos reféns não foi protegida. Além disso, antes da incursão, todo o policiamento do palácio foi retirado de maneira inexplicável.

"O Estado colombiano tem que começar por reconhecer sua responsabilidade", insistiu Pinilla.

No entanto, o magistrado esclareceu que a CVPJ não pode estabelecer responsabilidades individuais ou institucionais nesta ação, uma das mais trágicas no quase meio século do conflito interno armado colombiano.

"Nós não vamos nos manifestar em nada que tenha a ver com responsabilidades individuais", advertiu Pinilla.

A comissão também avançou no caso das 12 pessoas que desapareceram de forma forçada, acusação pela que foi submetido a julgamento o coronel da reserva do Exército Alfonso Plazas, cuja sentença não foi ditada.

A CVPJ confirmou que várias pessoas foram executadas sumariamente na ação militar e que outras escaparam com vida e depois desapareceram.

Além disso, o comitê estabeleceu que, na época, "o ministro da Defesa não atendeu os telefonemas do presidente da República, e temos conhecimento de que a comunicação entre as forças do Estado, as Forças Armadas e o presidente da República foi praticamente nenhuma".

Em 1985, o presidente da Colômbia era o conservador Belisario Betancur, e seu ministro da Defesa era o já falecido Miguel Vega Uribe. EFE jgh/bba

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