Comissão de direiros humanos verifica abusos em fronteira hondurenha

Tegucigalpa, 20 ago (EFE).- A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) verificou hoje, no centro de Honduras e na fronteira com a Nicarágua, no leste do país, as denúncias sobre violações dos direitos humanos supostamente cometidas após a derrubada de Manuel Zelaya, cujos seguidores celebraram o suposto prelúdio de seu retorno ao país.

EFE |

Em seu quarto dia em Honduras, membros da CIDH visitaram a localidade de El Paraíso e outros setores do departamento (estado) de mesmo nome, que fica na divisa da Nicarágua e ficou sob toque de recolher durante o mês de julho.

Outro grupo de representantes da comissão viajou a Comayagua, ex-capital hondurenha, que fica a cerca de 100 quilômetros de Tegucigalpa, disse à Agência Efe uma fonte da entidade.

As visitas do CIDH, subordinada à Organização dos Estados Americanos (OEA), incluíram a Penitenciária Nacional, a principal prisão do país, a aproximadamente 25 quilômetros da atual capital hondurenha, acrescentou a fonte.

El Paraíso e outras localidades que fazem fronteira com a Nicarágua ficaram vários dias do fim de julho sob toque de recolher porque Zelaya queria cruzar a fronteira e voltar para solo hondurenho.

Com operações em estradas, militares e policiais hondurenhos impediram que a família e os seguidores do presidente deposto chegassem à fronteira para se reunir com o chefe de Estado deposto.

Os familiares de Zelaya, que segundo as autoridades podem sair e voltar ao país livremente, estão entre as pessoas e setores da sociedade que se reuniram com a CIDH.

A missão do organismo, que recebeu inúmeras denúncias tanto de seguidores como de opositores a Zelaya, está em Honduras desde segunda-feira. Ontem, seus integrantes foram à região norte. Amanhã, devem se encontrar com representantes da Suprema Corte.

As violações denunciadas foram cometidas desde que, em 28 de junho, os militares expulsaram Zelaya do país e o Parlamento colocou no lugar dele o congressista Roberto Micheletti.

Segundo o grupo Feministas de Honduras em Resistência, nesse período, várias violações de direitos humanos foram cometidas contra as mulheres.

Gilda Rivera, coordenadora-executiva do Centro de Direitos das Mulheres de Honduras, que faz parte da associação, disse à Efe que, desde o início da crise, a Polícia foi responsável por 19 casos pontuais de abusos em várias regiões do país.

Ela acrescentou que há muitos outros casos, mas que as mulheres não os denunciam por temer represálias.

As violações contra mulheres não são cometidas apenas pelas autoridades, mas também dentro de casa, muitas vezes por elas serem contra o golpe de Estado, segundo as representantes da Missão da Observação Internacional Feminista, que visitam Honduras e são de vários países.

No entanto, os seguidores de Zelaya, reunidos num movimento de resistência popular, reiteraram durante uma nova manifestação pacífica em Tegucigalpa que o retorno do deposto líder está próximo.

"Estamos vivendo o prelúdio da chegada do presidente Zelaya", que "não deve passar da próxima semana", assegurou aos jornalistas o líder camponês Rafael Alegría, um dos coordenadores da frente de resistência.

Segundo o camponês, funcionários da embaixada dos EUA disseram ontem aos líderes do movimento as partes interessadas negociam em Washington "o acordo de volta do presidente Zelaya".

Caso Micheletti não aceite esse acordo, "vamos endurecer muito mais as medidas", advertiu Alegría, que antecipou que as mobilizações da próxima semana também estarão relacionadas à possível visita de uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Amanhã, por sua vez, vence o prazo de 72 horas que o Governo de Micheletti deu aos diplomatas da embaixada da Argentina para que deixem Honduras. Uma medida similar ordenada por Buenos Aires contra os membros da representação hondurenha. EFE lam/sc

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