Nações Unidas, 8 abr (EFE).- A Comissão da ONU que investiga o assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri solicitou hoje ao Conselho de Segurança que estenda seu mandato para permitir que a busca da justiça siga seu curso.

O novo chefe do organismo de investigação, o canadense Daniel Bellemare, disse entender a forte expectativa que existe em torno da investigação que já dura quase três anos, mas afirmou que precisará prosseguir suas atividades além de seu mandato, que acaba no dia 15 de junho.

"Deve-se dissipar qualquer ilusão de imediatismo. Nosso progresso não é nem lento nem imediato, é deliberado", explicou em seu primeiro comparecimento perante o Conselho após sua nomeação há três meses.

O ex-promotor canadense observou que não serão apresentadas acusações para o caso imediatamente após a abertura do Tribunal Especial para o Líbano das Nações Unidas.

"As provas admissíveis precisam passar antes pela avaliação cuidadosa e objetiva, seguindo os critérios aplicados pela procuradoria", indicou.

Disse ainda que "ninguém" pode garantir quanto tempo demorará o processo, mas enfatizou que não se pode apressar a justiça.

Tal como mencionou em seu último relatório divulgado em 28 de março, Bellemare reafirmou em seu discurso que os investigadores confirmaram que o assassinato de Hariri foi cometido por uma rede que esteve envolvida em outros vinte atentados políticos cometidos nos últimos três anos no Líbano.

Ele observou ainda que o fato de ter se referido à rede como "criminal", no relatório, não significa que suas ações não obedeçam a fins políticos.

"A direção desta investigação não mudou e a Comissão permanece investigando crimes com motivações políticas", acrescentou.

Reiterou que as provas em seu poder confirmam que a chamada "rede Hariri" existia antes do assassinato do ex-primeiro-ministro, que o vigiou antes de cometer o atentado, e que, ao menos parte dela, continuou funcionando depois.

Bellemare ressaltou que sua prioridade nestes momentos é reunir mais provas relacionadas com essa rede para identificar todos seus membros, seus vínculos externos e outros indivíduos fora da organização que tenham desempenhado algum papel nestes atentados.

Após seu discurso perante o Conselho, o ex-promotor afirmou em entrevista coletiva que desconhece o paradeiro de uma das pessoas entrevistadas pela Comissão, o ex-agente de inteligência sírio Mohammed Zuheir Saddiq.

O Governo francês disse hoje que a testemunha desapareceu da casa de Paris na qual estava sob prisão domiciliar.

Bellemare substituiu em janeiro o magistrado belga Serge Brammertz à frente da investigação do assassinato do ex-primeiro-ministro Hariri, que morreu por causa da explosão de um automóvel bomba em Beirute, em fevereiro de 2005, junto a outras 22 pessoas.

O primeiro responsável da investigação das Nações Unidas, o promotor alemão Detlev Mehlis, afirmou que funcionários sírios e libaneses estavam envolvidos no magnicídio. EFE jju/fb

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