Por Michael Holden LONDRES (Reuters) - A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, espécie de corregedoria policial britânica) anunciou na quarta-feira que assumirá as investigações sobre a morte de um homem durante os protestos contra a cúpula do G20, ocorrida na semana passada em Londres, e solicitou uma segunda autopsia na vítima.

O inquérito estava nas mãos da polícia de Londres, mas o IPCC interveio depois da aparição de imagens que mostram que um policial empurrou o homem no chão.

O jornaleiro Ian Tomlinson, 47 anos, ia do trabalho para casa quando se viu no meio dos confrontos entre policiais e manifestantes anticapitalistas, numa rua perto da sede do Banco da Inglaterra (Banco Central), no último dia 1o.

Ele desmaiou e morreu logo depois do incidente, que foi gravado e divulgado no site do jornal Guardian (http://www.guardian.co.uk/). Uma primeira autopsia indicou que ele morreu de infarto. A nova investigação irá examinar se o contato com os agentes contribuiu com a morte, segundo o IPCC.

"As pessoas estão corretamente preocupadas com esta trágica morte, e esta gravação é claramente perturbadora", disse a vice-diretora do IPCC, Deborah Glass. "As pessoas têm pedido uma investigação criminal. Quero salientar que, desde o início de todas as nossas investigações, nós consideramos se violações criminais foram cometidas."

Glass disse que a investigação atualmente está focada em identificar os agentes envolvidos. "Vários já se apresentaram, e todos os esforços estão sendo feitos para localizar os demais", afirmou ela.

O vídeo, gravado por um gestor de fundos nova-iorquino que estava em Londres a trabalho, mostra Tomlinson caminhando sozinho, com as mãos nos bolsos, em frente a uma fila de policiais, alguns com cães, outros equipados com cassetetes, escudos e capacetes.

Um agente parece empurrar Tomlinson por trás, com força suficiente para jogá-lo no chão. O jornaleiro em seguida aparece sentando, aparentemente discutindo com os policiais, antes que transeuntes o ajudassem a se levantar.

Minutos depois, ele desmaiou numa rua próxima. A polícia tentou ressuscitá-lo antes que ele fosse levado de ambulância a um hospital, onde foi declarado morto.

O IPCC é o mesmo órgão que investigou a polícia britânica depois da morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado dentro do metrô de Londres depois de ser confundido com um terrorista em 2005.

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