Decisão aumenta chance de Breivik, que assumiu ataque, ser enviado para instituição psiquiátrica; Noruega estuda pedir novo exame

Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
AP
Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
Uma comissão aprovou nesta quinta-feira um relatório que atesta a insanidade de Anders Behring Breivik, extremista que assumiu os ataques que deixaram 77 mortos na Noruega em julho.

Como a decisão aumenta a possibilidade de Brevik ser enviado a uma instituição psiquiátrica e não à prisão, autoridades norueguesas estudam pedir um novo exame.

Os sete membros da comissão do Conselho Norueguês de Medicina Forense disseram “não ter comentários significativos” sobre o relatório psiquiátrico de Breivik.

Entregue em 29 de novembro, o documento afirma que o extremista sofre de esquizofrenia paranoica e estava em um estado “psicótico” quando cometeu os ataques. Na Noruega, para que a defesa alegue insanidade o réu precisa ter cometido o crime em estado psicótico. Isso significa que ele perdeu contato com a realidade ao ponto de já não conseguir controlar suas ações.

De acordo com a juíza Anne Margrethe Lund, o julgamento de Breivik continua marcado para abril e um novo exame psiquiátrico pode ser pedido pela Justiça a qualquer momento.

Breivik, 32 anos, está sob custódia desde julho, quando ocorreu a explosão de um carro-bomba no centro de Oslo e o ataque indiscriminado contra um acampamento da juventude do partido trabalhista na ilha de Utoya.

Apesar de ter reivindicado a autoria do crime, Breivik rejeita a responsabilidade penal pelo massacre, afirmando que ele era "necessário" para salvar a Noruega e a Europa dos muçulmanos e do multiculturalismo.

Cartas de amor

A emissora local TV2 informou que o extremista recebe cartas de amor na prisão, assim como cartas de pessoas que querem libertá-lo da prisão e várias manifestações de ódio.

De acordo com a emissora, a polícia já entregou ao extremista entre 200 e 300 cartas enviadas por indivíduos na Noruega e de outros países desde quando ele foi preso.

A correspondência só começou a ser entregue no início de dezembro porque até então Breivik estava proibido de manter qualquer contato com o exterior. Embora Breivik tenha sido retirado do regime de isolamento há quase dois meses, ele continua sendo o único preso de segurança máxima na penitenciária de Ila, oeste de Oslo.

Com Reuters e EFE

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