Comida volta ao comércio e restaurantes da Argentina

Por Nicolás Misculin BUENOS AIRES (Reuters) - Os principais pontos de comércio e restaurantes da Argentina recuperavam lentamente seu ritmo habitual na sexta-feira, depois de três semanas de uma paralisação do setor agrícola que desabasteceu a população de produtos básicos e disparou uma crise política.

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Os produtores rurais suspenderam na quarta-feira, temporariamente por 30 dias, a paralisação realizada em protesto contra a alta dos impostos sobre exportações de soja, girassol e derivados, o que permitiu retomar a venda de alimentos.

A trégua deu um fôlego ao governo, que teve que enfrentar o conflito político mais forte dos últimos anos e marcou o primeiro desafio da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

A paralisação prejudicou a venda de carnes e grãos de um dos maiores fornecedores agropecuários do mundo, mas também impediu o abastecimento normal de outros alimentos, como verduras e laticínios, já que os produtores rurais bloquearam estradas.

As atividades dos mercados de alimentos do país começaram a se normalizar na quinta-feira, e os pontos comerciais em seguida recuperavam sua atividade habitual.

'(A oferta) está se normalizando, com as dificuldades que se supõem pela quantidade de caminhões que foi preciso mobilizar e descarregar', disse à Reuters Juan Vasco Martínez, diretor-executivo da Associação de Supermercados Unidos (ASU).

'Em algumas regiões do interior houve problemas porque foi afetada a distribuição dos supermercados devido aos cortes. Mas neste fim de semana estaremos em uma situação de normalidade, com as prateleiras cheias', afirmou o representante da associação que reúne as principais cadeias de supermercados do país.

Os restaurantes também voltavam à normalidade na sexta-feira, apesar de ainda haver certa dificuldade de encontrar pratos típicos como o churrasco.

'Não temos bifes nem outros pratos de carne (bovina), mas temos tudo que seja de frango', explicou um empregado de um restaurante de Buenos Aires.

A paralisação acarretou em altas dos preços internacionais dos grãos devido à suspensão das exportações argentinas e despertou manifestações contra o governo.

(Reportagem adicional de Maximilian Heath)

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