Comícios pouco eufóricos e divisão interna marcam campanha montenegrina

Duska Pejovic Podgórica, 5 abr (EFE).- Comícios pouco eufóricos e um ambiente de divisão interna que lembra o plebiscito de 2006 - no qual Montenegro optou pela independência com uma pequena margem de votos - marcaram a campanha para as presidenciais deste domingo no país.

EFE |

Os quatro candidatos à Presidência fizeram campanhas comedidas, em contato direto com os eleitores, para apresentar seus programas de Governo e prometer uma vida melhor em Montenegro, pequena república de 620 mil habitantes localizada nos Bálcãs e onde 10% da população vive em condições de extrema pobreza.

Destacou-se por uma boa organização a campanha do atual presidente e favorito nas eleições deste domingo, Filip Vujanovic, candidato do Partido Democrático dos Socialistas (DPS).

Segundo analistas locais, Vujanovic aperfeiçoou seus métodos para atrair votos com a experiência de quase duas décadas no poder.

O atual presidente visitou casas nas aldeias mais remotas, sobretudo no pouco desenvolvido e muito patriarcal norte montenegrino, para encorajar eleitores dessa região - que quase nunca fazem uso de seu direito de voto - a comparecer às urnas.

Vujanovic, candidato sob o slogan "Sem Dilemas", propagou de forma paciente durante a campanha a idéia de que o DPS, um dos grandes artífices da independência montenegrina, pode fazer também com que o país se integre de forma plena à União Européia (UE).

O dirigente insiste em afirmar que Montenegro não pode ter na Presidência alguém que não tenha sido favorável à independência do país, e critica os candidatos pró-sérvios que anunciam que caso sejam escolhidos voltarão a formar um Estado em comum com a Sérvia.

"Durante meu segundo mandato, Montenegro seguirá adotando os padrões europeus em todos os setores. Nos próximos cinco anos, a União Européia estará em Montenegro", diz Vujanovic, convencido de que ganhará o pleito já em primeiro turno, como prevêem as últimas pesquisas.

Ao lado do atual presidente está o carismático primeiro-ministro Milo Djukanovic, cuja popularidade tem sido mantida em alta desde o início da década de 1990.

Djukanovic acompanhou Vujanovic em inúmeras ocasiões durante a campanha, para explicar aos eleitores que os dois compartilham das mesmas idéias políticas.

Vujanovic costuma citar Djukanovic em seus comícios. Diz, por exemplo, que "como garante o primeiro-ministro, o salário médio em Montenegro já será de 515 euros no final do próximo ano".

O presidente aceita ainda com um largo sorriso os gritos de "Milo, Milo (Djukanovic)" em suas aparições públicas.

O salário médio montenegrino está abaixo dos 400 euros atualmente, e os analistas advertem que quase a metade dos empregados recebe suas remunerações com atraso.

Nebojsa Medojevic, do opositor Movimento por Mudanças (PZP), é considerado o adversário mais temido por Vujanovic por suas duras críticas do Governo do DPS.

Medojevic acusa Vujanovic de corrupção, de ser antidemocrático e de tolerar o crime organizado.

O DPS, por sua vez, condena a atitude da oposição por meio de comunicados distribuídos quase que diariamente, falando em "irresponsabilidade" e tentativas de dissuadir a chegada a Montenegro de grandes investidores estrangeiros.

Enquanto isso, o pró-sérvio Andrija Mandic, do Partido Popular Sérvio de Montenegro (SNS), se esforçou para atenuar sua retórica favorável à formação de um Estado em comum com a Sérvia. Pede o voto também de cidadãos descontentes com o nível de vida em Montenegro e que anseiam por mudanças.

Mandic, que defende valores tradicionais e uma família forte como premissa para qualquer tipo de mudança, se diz convencido de que será capaz de impedir a vitória do atual presidente no domingo.

Segundo pesquisas de opinião, Vujanovic obteria amanhã 53% dos votos. Medojevic e Mandic ficariam com pouco menos de 20%, e Srdjan Milic, do Partido Socialista Popular (SNP), teria cerca de 10%. EFE Dp-Sn/fr

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