Comício para casal

Não fique surpreso se aparecer um Clinton na sua mesa no restaurante. Quando a senadora disse que os Clintons estavam dispostos a ir a qualquer lugar com mais de duas pessoas não era força de expressão.

BBC Brasil |

Em cafés, restaurantes, portas de fábricas, filas de ônibus, pode aparecer um Clinton em busca de voto.

Domingo à tarde, em Raleigh, na Carolina do Norte, a filha Chelsea fez campanha numa pizzaria.

Em pessoa, ela é mais atraente do que pela TV, mas a timidez parece a mesma.

Nunca fala como uma política, nem com jornalistas e foi bem-recebida pelos casais e familias nas mesas.

O recado dela é curto:

"Meu nome é Chelsea Clinton. Muito prazer. Como vai? Não quero interromper seu almoço. Espero que vote na minha mãe nesta terça."
Ela estava com uma amiga famosa, Erika Alexander, estrela de televisão do Cosby Show e da série The Living Single.

Esta sim, era falante e agressiva no pedido.

Quando encontrava um eleitor de Obama, fazia um mini-discurso sobre os talentos e qualidades de Hillary Clinton.

E se despedia com um beijo no rosto. Boa tática.

Quarenta e cinco minutos depois as duas, aplaudidas, se despediram da pizzaria.

Esta segunda-feira trouxe boas notícias para Hillary Clinton.

Pela primeira vez em três meses, uma pesquisa séria coloca a senadora na frente do senador, com sete pontos de vantagem entre os democratas no plano nacional (na Carolina do Norte, o senador está com pequena vantagem; em Indiana, ela lidera também por pouco).

Há duas semanas, antes dos comentários do pastor Jeremiah Wright, ela estava dez pontos atrás. Um grande salto.

Outras pesquisas ainda colocam o senador na frente com pequena margem, mas o número de entrevistados na pesquisa Gallup/USA Today - que coloca a senadora na frente - foi maior.

A Carolina do Norte é um Estado sem transporte público e a maior preocupação do eleitorado hoje é o preço da gasolina, que deve chegar a US$ 4 o galão no começo das férias de verão.

Hillary Clinton propõe uma suspensão temporária no imposto federal (18,5%), uma proposta denunciada por economistas e por Obama como demagógica porque o motorista só vai economizar 30 dólares em três meses e milhares de empregos serão ameaçados.

O imposto vai para manutenção de estradas federais.

A senadora argumenta que as companhias de petróleo devem pagar a conta, mas isto é outra demagogia porque elas compensariam o prejuízo com outros aumentos.

Além disto, seria impossível aprovar a proposta no Congresso nas próximas semanas.

Nesta véspera das duas últimas grandes primárias, o outro tópico tem sido a "obliteração do Irã" prometida pela senadora caso o país use armas nucleares contra Israel.

Na semana de aniversário de 60 anos do Estado judeu e com a situação cada vez mais complicada no Oriente Médio, anunciar um ataque ao Irã pode parecer um tiro político, mas Barack Obama criticou a linguagem da senadora num momento em que o país não consegue resolver seus problemas no Iraque e no Afeganistão.

Os argumentos do senador são mais corretos e realistas tanto na gasolina quanto na guerra ao Irã, mas nem sempre, às vésperas de uma eleição, prevalecem a lógica e o bom senso.

Depois das derrotas em Ohio, no Texas e na Pensilvania, o senador adotou fórmulas da senadora.

Ele é um campeão do grande comício, recordista nesta campanha tendo reunido mais de 30 mil pessoas na Filadelfia.

E perdeu no Estado.

A nova tática é mais intimista, como a dos Clintons, embora a família, em especial Bill Clinton, não apareça ao lado da senadora.

Barack Obama aparece com mais freqüência em companhia da mulher e das filhas nos eventos e os ambientes são menores.

Em vez de imagens do senador falando, a campanha agora dá ênfase à imagem do senador ouvindo.

Para um político que chegou onde está pela eloqüência, Indiana e Carolina do Norte vão esclarecer quem é o melhor candidato no tête-à-tête.

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