Os países da América Latina e do Caribe vão experimentar, em 2009, uma queda sem precedentes de 13% no volume de exportações e importações, de acordo com o relatório Panorama da Inserção Internacional 2008-2009, da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), divulgado nesta terça-feira. O volume, segundo o documento, é superior aos 10% de queda projetados para o comércio mundial.

"O dado confirma que o comércio foi o setor mais afetado pela crise econômica global na região. O comércio sofre uma contração sem precedentes", afirmou a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, em uma coletiva em Santiago, no Chile, sede do organismo internacional.

Segundo o documento, o volume das exportações da região cairá 11%, seu pior resultado em 72 anos (desde 1937), enquanto as importações deverão retroceder 14% - o nível mais baixo em 27 anos (desde 1982).

O relatório afirma que a queda no comércio é resultado do "forte declínio da demanda internacional, da queda dos preços de algumas matérias-primas básicas, das dificuldades para o financiamento do comércio e o comportamento pró-cíclico dos fluxos de comércio intrarregional, especialmente na América do Sul".

"Como consequência da crise, o comércio mundial despencou a uma taxa, inclusive, maior do que a registrada durante a Grande Depressão. De julho de 2008 a maio de 2009, a contração no valor do comércio mundial foi de 37%. Para 2009, em seu conjunto, a previsão é de uma queda no volume do comércio mundial próxima a 10%."
A secretária-executiva da Cepal afirmou em um comunicado, no entanto, que a expectativa é de que o comércio internacional "volte a ser fonte de oportunidades" e que a "região deve se preparar" para isso.

Economia real
No texto, o organismo afirma que a crise mundial foi transmitida para a economia real da região por meio das quedas no investimento estrangeiro direto (IED), nas remessas dos migrantes, nos preços dos produtos básicos e no comércio.

"O choque externo que a região sofreu é de proporções superiores ao provocado pela crise asiática e pela crise da dívida externa. As cifras projetadas para 2009, em comparação com 2008, mostram uma queda entre 35% e 45% nos fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED), entre 5% e 10% nas remessas, de 29% nos preços internacionais dos produtos básicos exportados pela região e de 25% no valor de suas exportações", diz o relatório.

Serviços e turismo também foram afetados, segundo o organismo. Pelo balanço da Cepal, quase todos os países da região sofreram quedas nos fluxos de comércio com seus principais sócios (Estados Unidos, União Europeia, Ásia e a própria região).

Somente a China, diz o documento, apresentou "demanda sustentada de produtos básicos", o que serviu para contrabalançar parte desta retração do comércio exterior regional.

Entre as mercadorias mais afetadas pela queda nas vendas externas no primeiro semestre de 2009 estão produtos de mineração e petróleo de toda a região (50,7%). Já os produtos manufaturados e agrícolas caíram 23,9% e 17% respectivamente.

Apesar dos resultados ruins no comércio, a Cepal afirma que a região está conseguindo enfrentar melhor esta crise do que as anteriores.

"A região está enfrentando este choque sem repercussões drásticas na evolução do PIB e do emprego, o que mostra que está melhor preparada como resultado da confluência de um bom ciclo internacional (2003-2007), com as melhorias na gestão da política econômica."

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