Comercial com barreira na Cisjordânia gera polêmica em Israel

Um comercial de TV da maior empresa israelense de telefonia celular, a Cellcom, está provocando polêmica no país por utilizar como cenário o muro construído por Israel na Cisjordânia. No filme, no ar há duas semanas, um grupo de soldados é surpreendido por uma bola de futebol vinda do outro lado do muro (o lado palestino), e um deles a devolve com um chute.

BBC Brasil |

A bola volta para os soldados, criando um jogo entre os palestinos "invisíveis" e os soldados. No fundo, uma música diz "afinal, só o que queremos é nos divertir".

Em resposta, palestinos e israelenses contrários à construção do muro filmaram um protesto de palestinos, na última sexta-feira, na aldeia de Bil'in, na Cisjordânia, na qual soldados israelenses atiraram bombas de gás lacrimogênio nos manifestantes que haviam jogado uma bola de futebol para eles.

Ambos os vídeos estão no site YouTube.

Realidade
"Queríamos mostrar a todos como os soldados realmente se comportam, e o que realmente acontece perto da cerca de separação", disse o manifestante palestino Abdallah.

O ativista israelense Hagai Matar disse ao site de notícias Ynet que o vídeo dos manifestantes "é uma resposta criativa à propaganda da Cellcom".

Matar afirmou que o clima de violência perto da barreira "é muito diferente do clima sorridente" que aparece no comercial.

O deputado Ahmed Tibi, do partido árabe Raam-Taal, acusou a Cellcom de "cinismo e falta de sensibilidade ao sofrimento que o muro causa para os palestinos".

"O muro separa famílias, crianças de suas escolas, doentes de hospitais, mas na propaganda é como se fosse um muro inofensivo em um jardim de Tel Aviv", disse o deputado, que exigiu que a empresa retirasse a propaganda do ar.

A Cellcom respondeu que "a campanha não tem o objetivo de ofender ninguém nem de defender qualquer posição política".

"A mensagem da campanha é que quando pessoas de qualquer religião, raça ou gênero querem se comunicar, elas podem fazê-lo em qualquer situação", declarou a empresa.

Mortes
Pelo menos 20 manifestantes palestinos já foram mortos pelas tropas israelenses em protestos contra a construção da barreira israelense na Cisjordânia.

A construção do projeto, que começou em 2002, envolve quase 700 km de muros de concreto e cercas, que passam dentro do território palestino.

De acordo com as autoridades israelenses, o objetivo da barreira é impedir que militantes palestinos entrem e cometam atentados no território israelense.

Já a liderança palestina argumenta que o principal objetivo da barreira é anexar terras dos palestinos a Israel.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG