Comentário sobre batom dá colorido à campanha nos EUA

Por Deborah Charles NORFOLK, Estados Unidos (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, acusou na quarta-feira o seu rival Barack Obama de fazer ataques machistas contra a candidata a vice Sarah Palin, enquanto o democrata reagiu apontando mentiras e ultraje fingido dos seus adversários.

Reuters |

Num momento em que as pesquisas valorizam a disputa pelo voto feminino, McCain lançou um anúncio na Internet dizendo que Obama estava se referindo a Palin quando, na terça-feira, disse que as reformas prometidas pelos republicanos eram iguais a passar 'batom num porco'.

No seu discurso deste mês na convenção republicana, a até então desconhecida governadora do Alasca disse que a única diferença entre uma mãe de família como ela e um pitbull era o batom.

O anúncio de McCain junta as declarações de Palin e Obama sobre batom, e então corta para um comentário da jornalista Katie Couric, da CBS News, sobre o 'papel contínuo e aceito do machismo na vida americana'.

A publicidade republicana termina com dois letreiros cruzando a tela: 'Pronto para liderar? Não', 'Pronto para difamar? Sim'.

Obama encarou a polêmica durante um ato de campanha em Norfolk. 'O que a campanha deles fez hoje de manhã é o mesmo jogo que deixa as pessoas cansadas da política neste país. Eles tentam pegar um comentário inocente, tentam tirá-lo do contexto, lançam um anúncio ultrajante porque sabem que isso é uma isca para a imprensa'.

'Não ligo para o que dizem de mim, mas amo demais este país para deixar que eles dominem outra eleição com mentiras, ultraje fingido e com a 'política do Swift-boat'', disse Obama, referindo-se a um anúncio de 2004 em que um ex-colega de John Kerry na Guerra do Vietnã, capitão de uma embarcação do tipo Swift-boat, difamava o então candidato democrata.

Linda Douglass, porta-voz de Obama, disse que o contexto das declarações de terça-feira deixa claro que o candidato não estava se referindo a Palin, muito menos chamando-a de porca.

EFEITO PALIN

A CBS News disse que o comentário de Couric, feito há três meses a propósito da candidatura de Hillary Clinton, será retirado do site YouTube por constituir uma violação de copyright.

A campanha de McCain negou que haja violação e disse que a peça permanecerá no site do candidato.

As pesquisas mostram que, desde a indicação de Palin como candidata a vice, McCain experimentou forte crescimento junto ao eleitorado feminino, o que o ajudou a assumir uma ligeira vantagem sobre Obama na maioria dos levantamentos.

Na quarta-feira, cerca de 23 mil pessoas assistiram a um comício da dupla McCain-Palin em Fairfax, Virgínia.

Sem se abalar com as acusações de machismo, a campanha de Obama adotou a estratégia de tentar desacreditar as credenciais reformistas que ela alardeia como governadora do Alasca.

Democratas do Estado, como o ex-governador Tony Knowles, manifestaram dúvidas sobre se ela realmente se opôs à construção de uma polêmica ponte que se tornou símbolo de desperdício, ou então questionaram suas razões para exonerar um policial.

'Você pode passar batom num porco. Continua sendo um porco.

Pode embrulhar peixe velho em um pedaço de papel chamado mudança. Vai continuar fedendo', disse Obama na terça-feira, arrancando risos da platéia ao ironizar o suposto reformismo de seus rivais.

O próprio McCain já havia usado a expressão 'passar batom no porco' para se referir ao plano de Clinton para a saúde.

A expressão já entrou de vez para o vocabulário político de Washington. Torie Clarke, ex-assessora de imprensa do Pentágono e consultora de McCain, é autora de um livro chamado 'Batom no Porco: Vencendo na Era da Transparência, por Alguém que Conhece o Jogo'.

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