O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, estava brincando quando afirmou quinta-feira que não há mais cólera no país, disse nesta sexta-feira seu porta-voz, acusando a imprensa ocidental de distorcer as declarações.

Mugabe falou, em um discurso na televisão, que "já não há mais cólera" no Zimbábue, graças ao trabalho dos médicos e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Pouco depois, a ONU desmentiu as declarações em um novo balanço, segundo o qual o número de mortos aumentou para 783 e o de casos suspeitos passou de 16.000.

Em seu discurso Mugabe também denunciou o que considera planos ocidentais para invadir o Zimbábue com a desculpa do cólera.


Garotos enchem garrafas com água da rua; o surto de cólera no Zimbábue já matou pelo menos 780 pessoas / AP

O jornal oficial Herald citou o porta-voz presidencial, George Charamba, segundo quem Mugabe "estava explicando com sarcasmo, mostrando que os esforços feitos até agora para conter a doença estavam começando a dar resultados positivos".

Charamba denunciou as emissoras BBC e France 24, que segundo ele "distorcem deliberadamente as declarações do presidente Mugabe".

"Claramente, estas duas emissoras ocidentais elegeram o caminho da distorção deliberada de um comunicado claro do presidente zimbabuano, para avançar a guerra e a agenda de mudança de regime de seus governos expansionistas", disse Charamba ao Herald.

O porta-voz acrescentou que o Zimbábue ainda precisa de ajuda internacional para acabar com a epidemia de cólera, que semana passada foi declarada emergência nacional.

A oposição zimbabuana criticou nesta sexta-feira os comentários "negligentes e imprudentes" de Mugabe sobre o cólera.

"A epidemia ainda está entre nós e está se estendendo rapidamente pelas principais cidades e povos", disse Henry Madzorera, secretário da saúde do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), principal força da oposição. "Tais declarações negligentes e imprudentes não ajudam", acrescentou em um comunicado.

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