Comemorações no Líbano provocam tristeza e repulsa em Israel

No Líbano, o Hezbollah festeja a volta de um de seus prisioneiros. Do outro lado da fronteira, os israelenses rezam e tentam conter sua repulsa ante as comemorações dos assassinos.

AFP |

Na tarde desta quarta-feira, dois generais do Exército confirmaram às famílias que os corpos recebidos são os dos dois soldados capturados em julho de 2006 pelo Hezbollah e restituídos pouco antes pelo movimento xiita libanês.

"Trata-se para nós do momento mais difícil dos dois últimos anos, e queremos ficar sozinhos, com a família, para chorar e nos apoiar mutuamente", declarou Omri Avni, o sogro de Ehud Goldwasser, um dos militares.

Os funerais dos dois soldados devem ser realizados na quinta-feira, segundo a imprensa israelense.

A rede de televisão do Hezbollah havia divulgado mais cedo as imagens de dois caixões pintados de preto contendo os corpos de Eldad Regev e Ehud Goldwasser.

No momento da transmissão ao vivo destas imagens, gritos e prantos foram ouvidos na casa da família Goldwasser em Nahariya, a alguns quilômetros de Rosh Hanikra, na fronteira entre Israel e Líbano. O Hezbollah manteve o suspense sobre a sorte dos dois militares até o último momento.

"Foi horrível ver os dois caixões. Pedi que desligassem a TV, pois não agüentava mais ver", afirmou à rádio Zvi, pai de Eldad Regev, em sua casa de Kiryat Motzkin (norte).

"Ainda tínhamos esperanças de que Eldad e Udi (Ehud) voltariam vivos para casa", acrescentou.

Em Israel, o luto se mistura com o sentimento de repulsa provocado pela visão de Samir Kantar sendo recebido como um herói no Líbano.

Kantar ficou 30 anos preso em Israel pelo assassinato, em 1979, de um civil israelense e sua filha de quatro anos.

Depois de ter matado um policial, Kantar assassinou com várias balas nas costas o pai da menina, a quem quebrou em seguida a cabeça com golpes de fuzil, segundo a justiça israelense.

"O povo libanês sacrificou cerca de 800 combatentes, toda sua economia. E para quê? Pelo assassino de uma menina de três anos e meio? Isso é um herói? Para mim isso não passa de lixo", indignou-se Shlomo Goldwasser, o pai do soldado.

A captura dos dois soldados havia deflagrado um conflito armado de 34 dias entre Israel e o Hezbollah.

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, qualificou Samir Kantar de "assassino cruel". "Quem considera esse homem um herói ignora os princípios mais elementares da decência humana", afirmou.

O Hezbollah organizou comemorações faustuosas para seus prisioneiros e Hassan Nasrallah, líder do movimento radical xiita, devia pronunciar um discurso na tarde desta quarta-feira.

"Temos um sentimento de vergonha", declarou Avital Leibovitz, porta-voz do Exército israelense.

No entanto, muitos israelenses, tanto no governo como na população e no Exército, consideram que esta troca era necessária.

"Espero que o mundo entenda com que tipo de inimigos estamos lidando, inimigos cruéis que torturam as famílias dos nossos soldados. Tíhamos que trazer eles de volta para casa a qualquer preço", declarou o ministro do Meio Ambiente, Guidon Ezra.

"Não tínhamos escolha, precisávamos trazer nossos garotos de volta", concordou Rose Lipki, 59 anos, moradora de Jersualém. "Mesmo se nossos soldados estão mortos, eles precisam voltar para casa, qualquer que seja o preço", afirmou Benni Levy, 43 anos.

Entretanto, todos não concordam com esta análise. "Não valeu a pena, são terroristas, assassinos. Isso só vai provocar mais ataques terroristas", considerou Ran Golden, 38 anos.

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