Comemoração do Ano Novo é cancelada em países árabes em solidariedade à Gaza

As comemorações do Ano Novo foram canceladas em vários países árabes em solidariedade aos palestinos de Gaza, submetidos há cinco dias a bombardeios israelenses que fizeram cerca de 400 mortos.

AFP |

Shows, festas e ceias previstas para saudar a entrada de 2009 não acontecerão no Egito, em Dubai, na Jordânia e na Síria, o mesmo não acontecendo, no entanto, em Beirute.

Na Faixa de Gaza, o Ano Novo não faz parte da tradição. Na Cisjordânia, as raras celebrações palestinas deverão ser discretas.

No Egito, o concerto anual do célebre cantor Mohammed Mounir, que deveria acontecer na noite desta quarta-feira na Ópera do Cairo, foi cancelado assim como a festa organizada pelo ministério da Informação, que deveria ser transmitida pela televisão pública.

Na terça-feira, um dirigente da televisão egípcia, Oussama al-Cheikh, havia anunciado o adiamento do lançamento de um novo canal, Nile Comedy, previsto para 1º de janeiro, "em solidariedade ao povo palestino da Faixa de Gaza".

Em Dubai, festas de gala e concertos foram suprimidos por ordem do soberano do Emirado, xeque Mohammed Ben Rached Al-Maktoum, "em apoio ao povo palestino irmão, em razão das destruições e matanças perpetradas na Faixa de Gaza pela máquina de guerra israelense".

O chefe de gabinete do xeque Mohammed, encarregado das cerimônias, Adel Omar, precisou, segundo o jornal Emaratalyoum, que todos os eventos musicais programados tinham sido cancelados.

Deveriam se apresentar no país vários expoentes da canção árabe, entre eles o saudita Mohammed Abdou, o iraquiano Kazem al-Saher, a libanesa Nancy Ajram ou a tunisiana Latifa.

A festa de Ano Novo, em geral, é cercada de luxo em Dubai, destino turístico de alto nível na região.

No entanto Abu Dabi, Emirado vizinho a Dubai, manterá um show programado da cantora Shakira.

Nos hotéis contatados pela AFP em Beirute, as festas programadas deverão acontecer.

Na Jordânia, os grandes hotéis e restaurantes da capital Amã, no sítio turístico de Petra e no porto de Aqaba, no Mar Vermelho, também anularam as celebrações previstas.

"A decisão foi tomada em função dos acontecimentos com nosso povo em Gaza", declarou Michel Nazzal, do setor de organização hoteleira do país. Cerca da metade da população da Jordânia é de origem palestina.

Vários jornais também pediram aos jordanianos para comparecerem com uma vela à mão no centro de Amã à meia-noite desta quarta-feira para expressar apoio a Gaza.

Na Síria, a ordem dos artistas anunciou em comunicado o cancelamento de todas as comemorações, tendo sido adiado, também o espetáculo que ficaria a cargo do grande cantor sírio Sabah Fakhri no Grande Hotel de Damasco.

Os iraquianos não celebram o Ano Novo, mas por motivos diferentes.

O Iraque, e principalmente sua grande comunidade xiita, vive desde segunda-feira ao ritmo do Muharram, um período de dez dias que culmina com o Achura, em memória do mártir imã Husseïn, genro do profeta Maomé e filho do imã Ali.

O mês sagrado de Muharram é um mês importante e abençoado, sendo considerado o primeiro do calendário da Hégira e é um dos quatro meses sagrados sobre os quais diz Allah (na interpretação do significado):

"O número de meses é de doze (em um ano), como foi ordenado por Allah no Dia em que Ele criou os céus e a terra; quatro deles são sagrados. Este é o cômputo certo, portanto não vos condeneis ..." (at-Taubah 9:36).

Durante dez dias de luto do Anchura, os xiitas iraquianos não realizam casamentos, festas e celebrações públicas e colocam panos negros nas janelas das casas.

bur/fmi/sd

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