Comemoração da 'Nakba' palestina começa com incidentes em Jerusalém

Choques têm 10 feridos e 13 detidos; palestinos ameaçam iniciar no domingo a Terceira Intifada inspirados pela revolta árabe

iG São Paulo |

Confrontos na Cisjordânia deixaram ao menos dez palestinos feridos nesta sexta feira por causa do aniversário no domingo da "Nakba" (Catástrofe), como é conhecido o êxodo posterior à criação do Estado de Israel, em maio de 1948.

Centenas de jovens aproveitaram as orações de sexta-feira para se reunir ao redor de policiais e passagens fronteiriças e lançar pedras contra as forças israelenses. Os principais enfrentamentos ocorreram em Jerusalém Oriental, onde residem mais de 200 mil palestinos.

O início dos eventos para celebrar a data foi marcado com desfiles e manifestações, em que 13 palestinos foram detidos nas últimas 48 horas pelas forças de Israel por "perturbar a ordem pública". A polícia e o Exército dispersaram aos manifestantes com balas de borracha e gás lacrimogêneo, e, em pelo menos dois casos, foram utilizadas armas de fogo.

Em Silwan, bairro palestino de Jerusalém Oriental, palco de violentos protestos quase diários, um jovem manifestante foi ferido a bala em circunstâncias não esclarecidas e segue hospitalizado, segundo uma fonte médica.

Na quinta-feira, Israel declarou estado de alerta máximo em Jerusalém e em toda Cisjordânia por causa do risco de mais atos violentos. A polícia mobilizou um reforço de milhares de homens em Jerusalém Oriental e no norte de Israel, onde está concentrada a maioria da população árabe do país.

Nesta sexta-feira, também foi limitado o acesso à Esplanada das Mequitas na Cidade Velha de Jerusalém, situada na parte oriental da cidade ocupada e anexada por Israel em 1967.

Apenas 8 mil fiéis muçulmanos puderam ir à mesquita de Al-Aqsa para a oração de sexta-feira, de acordo com fontes policiais. Centenas tiveram de orar em frente às portas da Cidade Velha. Os palestinos organizam marchas e encontros nos territórios ocupados até domingo, quando se esperam milhares de manifestantes em Ramallah.

Mais de 760 mil palestinos fugiram perante o avanço das forças judaicas ou foram diretamente expulsos por elas há 63 anos.

Atualmente, a ONU estima em cerca de 4,8 milhões o número de refugiados e seus descendentes. A resolução 194 da ONU dispõe que "os refugiados que desejarem voltar aos seus lares e viver ali em paz com seus vizinhos devem ser autorizados o quanto antes".

Todos os governos israelenses se opuseram à aplicação do direito de regresso dos refugiados, com medo de que a população judaica passe a ser minoria.

Nova intifada?

O alto dirigente palestino Abbas Zaki disse na quinta-feira que seu povo pode começar uma nova Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense) no domingo, inspirado pela atual mobilização no mundo árabe contra regimes autocráticos. “(Israel) não poderá calar o povo depois do exemplo dados pelos povos árabes contra os seus governos“, afirmou à rádio das Forças Armadas de Israel.

Entre as medidas adotadas por Israel para reforçar a segurança e evitar distúrbios, pela primeira vez técnicos das Forças de Defesa de Israel monitorarão as redes sociais do Facebook e Twitter para acompanhar o planejamento dos manifestantes. As redes sociais foram decisivas nas revoltas da Tunísia e Egito .

Em principios de março, o Facebook tinha uma página dedicada a promover as maiores manifestações pró-palestinas e pela Nakba, com o apelo à realização da Terceira Intifada . De acordo com a IPS, agência de notícias independente e cooperativa de jornalistas com sede em Roma, a página logo atraiu centenas de milhares de apoios.

Facebook retirou a página do ar em 29 de março, quando 500 mil prometiam juntar-se aos protestos do domingo, mas logo apareceram novas páginas com apelos semelhantes.

O portal em árabe www.3rdintifada. com, do ativista egípcio Mounib Mohamed, de 26 anos, propôs manifestações pacíficas nesta sexta e sábado diante de embaixadas e consulados israelenses pelo mundo, chamando o domingo de "Dia da Libertação". Posteriormente, porém, sugeriu demonstrações apenas diante das embaixadas de Israel no Egito e Jordânia, os únicos países árabes com quem o Estado judeu tem relações diplomáticas. Forças de segurança egípcias dispersaram os protestos no Cairo.

O grupo radical islâmico Hamas, que domina a Faixa de Gaza e descarta mudar seu programa no que se refere ao objetivo de destruir Israel, apoiou a ideia da Terceira Intifada. Em 4 de maio, o grupo assinou com o partido laico Fatah um acordo para formar um governo de união nacional depois de 5 anos de divisão. Ainda não está claro qua política adotarão em relação a Israel.

A primeira Intifada palestina durou de 1987 até os acordos de Oslo, Noruega, em 1993, que autorizaram o líder palestino Yasser Arafat (morto em 2004) a criar a Autoridade Palestina, num passo intermediário ao estabelecimento do Estado palestino independente. A segunda Intifada durou de 2000 a 2005.

*Com AFP, EFE e colaboração de Nahum Sirotsky, de Israel

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