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Comédia gastronômica Soul Kitchen compete no Festival de Veneza

Alicia García de Francisco. Veneza (Itália), 10 set (EFE).- Entre os dramas que dominaram a carreira do diretor alemão de família turca Fatih Akin, o mundo gastronômico de Soul Kitchen chega ao Festival Internacional de Cinema de Veneza como uma ótima comédia, exibida hoje na competição da mostra.

EFE |

"Soul Kitchen", com influências de filmes como "Bela Martha", de Sandra Nettelbeck, e "Kebab Connection", de Anno Saul, entra no mundo da gastronomia com uma história protagonizada por Zinos (Adam Bousdoukos), o jovem proprietário de um restaurante popular.

Uma namorada que vai trabalhar em Xangai, um irmão que sai da prisão, uma garçonete que, na realidade, é uma artista, um cozinheiro louco e brilhante são os personagens que rodeiam Zinos, em uma história muito bem contada e com momentos brilhantes.

Com um roteiro bem construído e uma estrutura bastante convencional, Akin demonstra que sabe fazer muito mais que duros dramas e lança uma comédia sem grandes surpresas, mas impecável.

"É o roteiro mais difícil que fiz em minha vida", reconheceu, em entrevista coletiva, o diretor de histórias tão medonhas quanto "Contra a Parede", ganhador do Urso de Ouro do Festival de Berlim, em 2004.

Em sua opinião, é muito mais difícil fazer uma comédia que um drama e o mais complicado, em seu caso, foi colocar toda a estrutura em ordem, na qual teve que trabalhar durante muitos meses e noites em claro.

"Em meus filmes anteriores, não utilizei as convenções cinematográficas, mas neste sim", disse o diretor, que acrescentou que é "mais difícil respeitar as convenções que ignorá-las".

Além do roteiro, o maior acerto do filme é sem dúvida o elenco, com atores que cumprem sua obrigação com perfeição, sem excessos.

Akin explicou que tinha na cabeça os dois protagonistas, os irmãos Kazantsakis - interpretados por Bousdoukos e Moritz Bleibtreu - enquanto escrevia a história, assim como Anna Bederke, uma jovem estudante de cinema, sem nenhuma experiência como atriz e que dá o tom perfeito de garçonete artista buscada pelo diretor.

"Soul Kitchen" conta uma história que esteve em sua cabeça durante um bom tempo, mas que não se atrevia a iniciar, já que, segundo ele, "era um pouco escravo" de seu próprio sucesso e acreditava que devia fazer "algo sério".

Quando seu produtor morreu, compreendeu que "rir faz parte da vida e do cinema", se libertou e decidiu fazer o que queria: uma comédia. "Como diretor, quero experimentar e não me repetir", assegurou.

"Soul Kitchen" surpreendeu Veneza, filme no qual a trilha sonora é quase um personagem a mais da história, que inclui o soul dos anos 70 e composições de Quincy Jones e Kool & The Gang, além de Louis Armstrong.

Uma comédia que trouxe um sopro de ar fresco à competição de Veneza, que contou com a exibição hoje de "El Mosafer" ("O Viajante"), do diretor egípicio Ahmed Maher, que conta a história de um homem durante três dias de diferentes momentos de sua vida, em 1948, 1973 e 2001.

A ambiciosa história, de mais de duas horas de duração, não consegue se manter interessante - a metade dos espectadores saiu antes do fim da projeção -, mas tem como ponto alto a atuação de Omar Sharif.

Sharif enche o personagem principal Hassan de humanidade, que só em sua velhice assume suas responsabilidades com um neto.

Um filme apresenta uma excessiva simplicidade de colocação contrastante com um enorme esforço de produção, para a qual o diretor levou nove anos para terminar.

A competição do Festival de Veneza ainda contará com três longas-metragens que ainda não foram exibidos: "A single man", de Tom Ford; "Mr. Nobody", de Jaco Van Dormael, e uma "surpresa" ainda não revelada, mas que aponta para o nome do filipino Brillante Mendoza, ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, por "Kinatay". EFE agf/pd

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