Começam as eleições legislativas no Japão com a promessa de mudanças

Começaram neste domingo, às 07H00 (sábado 22H00 GMT) as eleições legislativas no Japão, que devem marcar uma mudança política histórica na segunda potência econômica mundial.

AFP |

As seções eleitorais vão funcionar até as 20H00 (11H00 GMT), quando começarão a ser publicadas as primeiras pesquisas de boca-de-urna.

No total, 103 milhões de eleitores japoneses estão inscritos para renovar por quatro anos seus 480 deputados, entre eles 300 designados com base num escrutínio uninominal por circunscrição, e os 180 outros em eleições proporcionais nas onze grandes zonas eleitorais.

As últimas pesquisas preveem uma ampla vitória do Partido Democrata do Japão (PDJ), a principal força da oposição centrista, e uma derrota do Partido Liberal Democrata (PLD), a grande formação da direita que governa o Japão praticamente sem interrupção desde 1955.

A nova Câmara de Deputados se reunirá, em seguida, para eleger o primeiro-ministro.

A resposta dos japoneses nas urnas deverá ser um SIM franco e maciço às mudanças prometidas pela oposição centrista, depois de meio século de domínio dos conservadores, se forem levadas em conta as pesquisas. O centrista Partido Democrata do Japão (PDJ) poderá obter vitória esmagadora sobre o Partido Liberal Democrata (PLD), direita, conquistando 300 das 480 cadeiras da Câmara de Deputados.

A elevada intenção de voto concedida aos centristas - o dobro da dos conservadores - simboliza a preocupação de grande parte dos japoneses com a desigualdade social e seu desejo de mudar um modelo de sociedade, esculpido por 40 anos de conservadorismo, que já não os convence.

Artífice do "milagre econômico" que fez do Japão a segunda potência econômica mundial, o PLD pôde manter-se no poder desde 1955, com breve interrupção de dez meses nos anos 90, apoiando-se na grande indústria e na todo-poderosa burocracia de Estado.

Agora, o partido está pagando as consequências das reformas liberalizantes do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), que agravaram as desigualdades e o desemprego.

Consciente do descontentamento crescente da população, o Partido Democrata do Japão centralizou toda sua campanha em torno ao lema: "uma política a serviço da vida das pessoas", e promete confusamente a concessão de subsídios familiares, gratuidade parcial do ensino, auxílio-desemprego, pensões por velhice, incluindo a abolição da cobrança de pedágios em autoestradas... Um programa generoso que, segundo o partido, poderá ser financiado se o país acabar com o desperdício.

"Trabalhamos para que no futuro as pessoas se lembrem deste dia e digam: a partir de agora, a história do Japão mudou", declarou o presidente do PDJ, Yukio Hatoyama, em comício em Osaka (oeste).

Em caso de vitória, Hatoyama (de 62 anos), rico herdeiro de uma longa dinastia de políticos com frequencia comparada aos Kennedy, será eleito primeiro-ministro pelo novo Parlamento provavelmente em meados de setembro.

Seu adversário, o premier Taro Aso, um nacionalista de 68 anos endinheirado e sem complexos, destaca na campanha sua experiência de poder e seu sentido de responsabilidade, ante um partido de centro que nunca governou.

"Algumas voces inquietas questionam se é prudente deixá-los governar", declarou Aso em discurso em Tochigui, norte de Tóquio.

"Estamos definitivamente seguros de que as políticas econômicas e os planos de reativação estiveram bem adaptados e que funcionarão", acrescentou, em referência à volta do crescimento depois de quatro trimestres consecutivos de recessão.

Mas o desemprego não cessa de aumentar e as últimas estatísticas do mês de julho citam uma taxa de 5,7%, considerada histórica no país.

Nesse clima de depressão, os japoneses, que têm fama de pouco interessados em política, poderiam ir domingo em massa às urnas, estabelecendo um novo recorde de participação, depois dos 67,5% registrados nas últimas eleições de 2005.

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