Por Mariel Cristaldo ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente-eleito do Paraguai, Fernando Lugo, disse na segunda-feira que o atual ocupante do cargo, Nicanor Duarte Frutos, manifestou durante uma primeira reunião entre eles a intenção de antecipar sua saída do governo.

Lugo, um ex-bispo católico de 56 anos, seguidor da Teologia da Libertação, ganhou no dia 20 as eleições que acabaram com uma hegemonia ininterrupta de mais de 60 anos do Partido Colorado no Paraguai.

'Nicanor me expressou seu desejo de renunciar à presidência a fim de assumir o Senado no mês de julho', disse Lugo a jornalistas, horas depois do encontro com o presidente no palácio dos López (sede do governo).

O mandato presidencial termina em 15 de agosto, mas o novo Congresso já toma posse em 1o de julho. Caso Duarte renuncie, a presidência seria exercida durante um mês e meio pelo vice-presidente Francisco Oviedo.

Lugo chegou ao seu futuro gabinete vestindo camisa branca, bolsa a tiracolo e suas habituais sandálias de couro. Levava consigo um pequeno grupo de assessores. A reunião com Duarte, seu adversário político, durou quase duas horas.

O presidente-eleito saiu de lá mostrando um livro que recebeu de Duarte, 'Os 21 Minutos Mais Poderosos no Dia de Um Líder', do pastor norte-americano John C. Maxwell.

O encontro marca o início da transição de governo, embora na sexta-feira já tenham ocorrido reuniões preliminares entre assessores.

Durante a campanha, Duarte chamou Lugo de 'bispo fracassado' e o vinculou a um grupo de esquerda condenado pelo sequestro e assassinato, há três anos, da filha do ex-presidente Raúl Cubas.

Lugo superou a ex-ministra da Educação Blanca Ovelar, a candidata colorada, por cerca de 10 pontos percentuais.

Depois da divulgação do resultado, Duarte prometeu uma transição ordenada e destacou que pela primeira vez na história do Paraguai um partido substitui outro no poder sem golpe nem derramamento de sangue.

Antes da reunião, Lugo disse que seu governo espera realizar uma reforma agrária e uma reforma constitucional que permita, entre outras coisas, o voto consular.

Para governar, Lugo provavelmente terá de fazer alianças, já que sua coalizão de centro-esquerda não terá maioria entre os 80 deputados e 45 senadores, segundo os resultados oficiais preliminares.

(Reportagem de Mariel Cristaldo, texto de Daniela Desantis)

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