Copenhague, 25 nov (EFE).- Os colégios eleitorais abriram hoje na Groenlândia às 9h (11h em Brasília) para um plebiscito sobre uma ampla reforma do estatuto de autonomia da ilha dentro do Reino da Dinamarca, em uma consulta na qual o sim parte com clara vantagem.

Os eleitores da maior ilha do mundo, com 2,2 milhões de quilômetros quadrados e com apenas 56 mil habitantes, terão até 20h (22h) para votar.

Uma pesquisa divulgada pelo jornal local "Sermitsiaq", elaborada a partir de mil ligações telefônicas, aponta vitória do "sim" com 61% dos votos, contra 15% do "não" e 20% de indecisos.

O novo estatuto, que substituirá o aprovado em 1979, reconhece os groenlandeses como povo com direito à autodeterminação, seu idioma como única língua oficial, amplia ao máximo as competências que podem ser assumidas pelo Governo autônomo e dá ao Executivo da ilha o controle sobre a receita que possa ser extraída do subsolo.

Os dois Governos acordaram que a subvenção estatal de 3,2 milhões de coroas dinamarquesas (429 milhões de euros), enviada todos os anos por Copenhague, será reduzida progressivamente com uma quantidade que corresponderá à metade das hipotéticas receitas anuais do subsolo que superarem 75 milhões de coroas dinamarquesas (10 milhões de euros).

O novo estatuto abre para a Groenlândia o acesso a assuntos como política penitenciária, Polícia, tribunais, de estrangeiros e controle de fronteiras e transporte aéreo, cujo financiamento deverá ser assumido pelas autoridades de Nuuk, capital da Groenlândia.

Apenas seis áreas continuarão sob controle dinamarquês: Constituição, nacionalidade, Tribunal Supremo, defesa e segurança, política monetária e de divisas e política externa, apesar de as autoridades da ilha poderem levar em conta questões internacionais que afetem seu território.

Embora o referendo tenha caráter consultivo e deverá ser ratificado pelos Parlamentos de Nuuk e Copenhague, há um acordo implícito de todas as forças políticas para respeitar seu resultado, que ninguém questiona que será afirmativo: a única dúvida paira sobre o percentual do "sim" no referendo. EFE alc/wr/rr

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