Autoridades afirmam que vai levar 28 dias consecutivos para que todos os tanques do navio naufragado na Itália sejam esvaziados

As operações submersas de bombeamento começaram neste domingo a remover parte dos 500 mil galões de combustível do navio Costa Concordia quase um mês depois de seu naufrágio na costa da Toscana , na Itália, informaram autoridades.

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Neve cobre telhados das casas próximas à costa da ilha de Giglio, onde está naufragado navio Costa Concordia
AP
Neve cobre telhados das casas próximas à costa da ilha de Giglio, onde está naufragado navio Costa Concordia

Após cerca de duas semanas de atrasos por conta da forte movimentação das águas do mar e do mau tempo, o bombeamento teve início no primeiro dos 15 tanques que, segundo as previsões, contém 84% de todo o combustível a bordo, informou o departamento de proteção civil da Itália.

Autoridades afirmam que vai levar 28 dias consecutivos para esvaziar todos os tanques. A empresa especialista Smit, da Holanda, está subervisionando a operação, junyo a outro parceiro italiano.

O processo de extração do combustível evolve a aderência de válvulas nos tanques de combustível que estão submersos, uma na parte de cima, outra no fundo. Mangueiras são conectadas a essas válvulas e o combustível - que deve ser aquecido para ficar menos 'pegajoso' - é sugado para fora da mangueira de cima, enquanto a água do mar é bombeada pela mangueira de baixo para preencher o vácuo deixado.

"Esperamos que nos próximos cinco dias o tempo esteja melhor, e vamos trabalhar 24 horas por dia para bombear o combustível", disse Bart Huizing, da Smit. Ele disse que as operações se concentrariam nos seis tanques na parte da frente do navio, onde 62% a 65% do combustível está localizado. "Com sorte, no fim da semana, nós já teremos tirado a maioria", disse em Giglio.

Desde que o Costa Concordia naufragou em 13 de janeiro, houve temores de um vazamento de combustível , resultando na contaminação das águas da ilha de Giglio, conhecida por ser um santuário de golfinhos e baleias. Não houve registros de vazamentos sérios.

O Concordia bateu contra um recife em Giglio, depois que o capitão desviou da rota para, aparentemente, fazer uma homenagem a colegas . Passageiros afirmaram que o capitão demorou a acionar o alarme de emergência, tanto que quando todos estavam preparados, a embarcação já estava tombada, com parte dos botes inutilizáveis.

Cerca de 4,2 mil passageiros e tripulantes conseguiram sobreviver, mas 17 corpos foram encontrados e outras 15 pessoas seguem desaparecidas e são dadas como mortas.

O capitão, Francesco Schettino , cumpre prisão domiciliar , acusado de homicídio múltiplo, naufrágio e abandono de navio antes que todos os passageiros tivessem sido retirados. Ele disse que o recife em questão não estava marcado nas cartas náuticas.

Na manhã deste domingo, durante uma homenagem às vítimas, o presidente italiano e o bispo do país pediram por justiça e que a verdade daquela noite apareça. "Deixe a luz de Deus ajudar a trazer a verdade e a justiça, deixem as feridas serem curadas e deixem a confiança e a coragem pelo futuro serem reforçadas", disse o cardeal Angelo Bagnasco.

Giorgio Napolitano, que participou da missa na igreja Santa Maria dos Anjos, disse que sentia muito que o que aconteceu "foi responsabilidade da Itália e dos italianos". "Nós devemos continuar a investigação", disse. "Promotores merecem respeito pelo trabalho que estão fazendo."

Com AP

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