A missão humanitária de três países, Espanha, França e Suíça, para resgatar Ingrid Betancourt, refém das Forças Revolucionárias da Colômbia, começou com a ajuda de autoridades envolvidas, anunciou nesta quarta-feira a presidência francesa.

O governo da França se limitou a dizer em um breve comunicado que "uma missão humanitária dos três facilitadores, Espanha, França e Suíça, foi iniciada com a participação de autoridades".

A decisão de enviar a "missão humanitária" a Colômbia para trazer Betancourt de volta, foi anunciada na última terça-feira em Paris pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, em um vídeo com legendas em espanhol.

Na gravação, Sarkozy pediu novamente ao chefe da guerrilha das Farc, Manuel Marulanda, que liberte imediatamente a refém franco-colombiana, em cativeiro desde 23 de fevereiro de 2002, que estaria "em perigo de vida iminente".

Enquanto isso persistem as dúvidas sobre o sucesso dessa missão e a atitude que a guerrilha assumirá.

Na terça-feira, depois de uma conversa por telefone com Sarkozy, o presidente colombiano Alvaro Uribe se declarou disposto a "suspender as operações militares" nas zonas que a missão francesa tiver que passar.

A missão está integrada por Daniel Parfait, diplomata e cunhado de Ingrid Betancourt e do ex-cônsul da França em Bogotá, Noel Saez, afirmou uma fonte próxima ao caso à AFP.

O avião, pilotado por um francês, e que fará escala nas Antilhas, decolou no fim da tarde de hoje (horário local francês) do aeroporto militar de Villacoublay, na periferia de Paris.

A bordo estão outras pessoas, revelou a fonte, sem precisar mais detalhes.

Até o momento, a França não recebeu nenhuma resposta oficial das Farc quanto as suas propostas, e inúmeras incógnitas estão pendentes, inclusive por parte de organismos associados à missão, como a Cruz Vermelha.

"Fizemos tudo humanamente possível, agora temos que esperar que nossos enviados especiais e o médico possam chegar ao local. Não é simples, é fisicamente e moralmente muito difícil", comentou nesta quarta-feira o chanceler francês Bernard Kouchner.

Desde Genebra, o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Colômbia, Yves Heller, afirmou que a organização está "conversando com o governo francês, mas até agora não recebeu nenhum pedido das Farc para participar de uma missão humanitária ou da libertação" de Ingrid Betancourt.

O diálogo com as Farc é direto, "em todos os níveis", inclusive com a direção da guerrilha, indicou Heller.

A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt comunicou de uma rádio em Paris que não existe nenhum compromisso por parte da guerrilha em receber uma missão francesa.

"Existe um intercâmbio de comunicações. Temos que ter certeza sobre a confiabilidade das fontes. Não há compromisso das Farc, mas isso não significa uma dificuldade nas comunicações com a guerrilha", esclareceu à AFP.

Astrid Betancourt se mostrou confiante que as Farc "reagirão de maneira positiva à iniciativa do governo francês".

Mesmo assim, persistem interrogações sobre a situação atual de Ingrid em meio a rumores sobre sua saúde, que surgiram de diversas fontes de difícil verificação.

O filho de Ingrid, Lorenzo Delloye, afirmou que sua mãe deixou "de se alimentar e recusa receber atenção médica há cinco semanas".

Ingrid Betancourt é uma das 39 reféns que as Farc querem negociar por 500 guerrilheiros presos na Colômbia.

bur/cl

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