Começa operação humanitária para libertar reféns das Farc

Bogotá - A operação que devolverá a liberdade a dois políticos, três policiais e um militar colombianos sequestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começou nexta sexta-feira com a partida de uma missão humanitária rumo ao Brasil, de onde decolarão os helicópteros que serão usados para recolhê-los em áreas da selva da Colômbia.

Redação com EFE |

Está previsto que os primeiros reféns sejam entregues pelas Farc no domingo e que na terça-feira, 3 de fevereiro, já tenha terminado o pesadelo destes seis cativos, depois que a organização guerrilheira anunciou em dezembro do ano passado sua decisão unilateral de libertá-los.

O grupo é formado pelo ex-governador do departamento de Meta Alan Jara, sequestrado em 2001; o ex-deputado regional de Valle del Cauca Sigifredo López, cativo desde 2003; e quatro soldados das forças da ordem, cujos nomes não são conhecidos.

A senadora opositora Piedad Córdoba, designada pelas Farc como coordenadora da missão, viajou nesta sexta-feira a São Gabriel da Cachoeira, no estado de Amazonas, junto a vários delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Como testemunhas da missão humanitária se somaram à viagem os escritores e jornalistas Daniel Samper Pizano e Jorge Enrique Botero, além da ativista pró-direitos humanos Olga Amparo Sánchez.

Deste local da Amazônia o grupo voltará amanhã, em aparelhos brasileiros, a território colombiano, concretamente a San José del Guaviare, 400 quilômetros ao sul de Bogotá, para abastecer.

Na madrugada do domingo, a missão humanitária irá a um local de selva não determinado, onde recolherão os primeiros reféns, três policiais e um militar, para depois levá-los à cidade de Villavicencio, capital de Meta (120 quilômetros ao sul de Bogotá).

No aeroporto desta cidade será onde se encontrarão pela primeira vez com a imprensa internacional e serão recebidos por uma escolta humanitária.

Entre os que darão as boas-vindas a este primeiro grupo de sequestrados estará o professor Gustavo Moncayo, pai do militar Pablo Emilio Moncayo que percorreu a pé o país em 2007 para reivindicar atenção internacional para o drama dos sequestrados colombianos.

A operação prosseguirá na segunda-feira em Villavicencio, de onde a missão partirá para outro local desconhecido para recolher Alan Jara, que voltará a Villavicencio para se encontrar com seus familiares.

Por último, na madrugada da quarta-feira a senadora Piedad Córdoba e sua equipe se dirigirão ao Valle del Cauca para receber o último refém, o ex-deputado desta região Sigifredo López, que ao longo dessa jornada será levado para a cidade de Cali.

Ao mesmo tempo, os parentes de 30 soldados e policiais nas mãos das Farc se concentrarão neste domingo na Catedral Primada de Bogotá para reivindicar a liberdade de todos os cativos.

Presidente

Piedad Córdoba, uma opositora radical do presidente Álvaro Uribe, recebeu em 2007 a incumbência do líder para tramitar a libertação de um grupo de reféns junto ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Mas Uribe cancelou essa mediação por divergências, o que indignou o presidente Chávez e levou à paralisação das relações bilaterais por um tempo.

Mesmo assim, faz agora um ano, as Farc libertaram também de forma unilateral seis reféns e as gestões de Córdoba foram chave no processo.

O presidente Uribe reiterou nesta sexta-feira em Davos (Suíça) sua oferta de outorgar um tratamento especial aos rebeldes que se entregarem.

"Hoje, da Suíça, epicentro da luta pelos direitos humanos, faço chegar a todos os guerrilheiros da Colômbia esta mensagem: que se desmobilizem e libertem sequestrados", assegurou.

As Farc têm em seu poder em torno de 700 pessoas, das quais 28 considera "passíveis de troca" por 500 guerrilheiros presos.

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