Começa o segundo turno presidencial na Colômbia

Juan Manuel Santos, candidato apoiado pelo presidente Uribe, é o favorito

iG São Paulo |

As seções eleitorais abriram neste domingo na Colômbia para o segundo turno das eleições presidenciais nas quais cerca de 30 milhões de eleitores deverão escolher o sucessor do atual presidente Alvaro Uribe entre o grande favorito das pesquisas, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos , e o independente Antanas Mockus , ex-prefeito de Bogotá.

Aos 58 anos, Juan Manuel Santos por pouco não venceu no primeiro turno do dia 30 de maio, quando recebeu 46,6% dos votos, ao competir com outros oito candidatos.

AP
O atual presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, deposita seu voto neste domingo

No segundo turno, enfrenta Mockus, do Partido Verde e também de 58 anos, que obteve 21,5% dos votos, apesar das pesquisas apontarem seu empate com o governista.

Segundo a última pesquisa do instituto Invamer Gallup, Santos ganharia com 65,1% dos votos, contra 28% a serem dados a Mockus. "No imaginário popular, instalou-se a percepção de que há um candidato (Santos) que já ganhou e não há nada para fazer", disse cientista político Fernando Giraldo.

Continuidade de Juan Manuel Santos

A Colômbia - que faz fronteira com cinco países (Brasil, Peru, Venezuela, Equador e Panamá) e onde pelo menos 7.500 combatentes das Farc seguem ativos, assim como muitos ex-paramilitares que buscam receber parte do dinheiro do tráfico de cocaína - parece inclinar-se à continuidade, segundo especialistas.

Juan Manuel Santos, que foi três vezes ministro (Comércio, Tesouro e Defesa) e se formou em Harvard, fez uma campanha profissional e organizada. Prometeu proteger a herança do atual presidente, cuja taxa de popularidade segue rondando os 70% graças a sua política de firmeza contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conseguindo afastá-la das cidades.

Além disso, como ministro da Defesa (2006-2009), Santos participou de momentos históricos para os colombianos, como o ataque contra um acampamento das Farc no Equador em março de 2009, no qual morreu Raúl Reyes, número dois da guerrilha, ou o resgate de 15 reféns, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt, durante a "Operação Xeque", no dia 2 de julho de 2008.

No dia 13 de junho, uma semana antes das eleições, os colombianos puderam evocar a alegria que sentiram com a Operação Xeque, da qual Santos participou, com uma nova e bem-sucedida operação militar que resgatou quatro dos mais antigos reféns das Farc.

Também comprometeu-se a atender outras preocupações dos colombianos além da segurança, como o desemprego e o subemprego, problemas endêmicos deste país onde 46% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Mockus perde força

Por outro lado, Mockus, que durante o primeiro turno foi visto como um fenômeno eleitoral utilizando redes sociais como Facebook e Twitter, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, teria cometido erros durante debates televisivos que teriam "desinflado" sua candidatura, de acordo com analistas.

Agora, Mockus está na defensiva. Esquecendo-se de seu programa, atacou o adversário e vinculou-se a uma imagem agressiva, apesar de evocar reais perigos da coalizão de direita a que Santos pertence, como a corrupção ou as milhares de execuções extrajudiciais atribuídas ao exército.

Tampouco os frequentes ataques do presidente equatoriano Rafael Correa e de seu aliado venezuelano Hugo Chávez, que acusou Santos de ser uma "ameaça" para a paz regional, parecem ter convencido os eleitores.

Quem sair vitorioso das urnas neste domingo receberá um país com 45,5% de pobres, 5,2 % menos que há oito anos, com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas da América Latina e com um déficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto. O resultado final da eleição deve ser divulgado a partir das 18h deste domingo em Bogotá (20h em Brasília).

Violência

Pelo menos sete policiais e três militares colombianos morreram neste domingo em emboscadas e enfrentamentos com grupos guerrilheiros em distintas regiões do país. Sete policiais perderam a vida em um ataque guerrilheiro, aparentemente cometido pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), no departamento (estado) Norte de Santander.

De acordo com um relatório divulgado pelos ministros da Defesa, Gabriel Silva, e do Interior e de Justiça, Fabio Valencia, três militares morreram em enfrentamentos entre a Polícia e guerrilheiros. Dois deles morreram no departamento de Meta e um no de Antioquia.

Depois da campanha eleitoral mais pacífica das últimas décadas, o governo desdobrou mais de 350 mil policiais e militares para garantir a segurança em todo o território.

* Com AFP, EFE e Reuters

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